O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado afirmou hoje (20), durante a Marcha dos Prefeitos, que pessoas “contaminadas” não têm condições de ocupar a Presidência da República. Na sequência, o pré-candidato afirmou que quem disputa o Palácio do Planalto precisa apresentar independência moral.
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“A vida do candidato deve ser pública. A pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da presidência da República”, disse.
Ao comentar o caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, Caiado afirmou que o país vive uma “desordem institucional”.
“Vorcaro contaminando todos os poderes. E nós estamos vivendo essa desordem institucional do poder hoje”, declarou.
A declaração ocorreu dias após a divulgação de mensagens e áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mais tarde, em conversa com jornalistas, Caiado negou que estivesse fazendo referência indireta a Flávio Bolsonaro.
“Olha, eu nunca falei nada de forma indireta na minha vida. Cada um tem o direito de se explicar das acusações que pesam sobre ele”, afirmou.
Segundo Caiado, as declarações tratavam de critérios necessários para o exercício da Presidência da República.
“O que eu disse são condicionantes para o exercício da função de presidente da República. Esse é que é o ponto principal, as pessoas têm que estar lá com a condição de independência moral para poder governar o país”, declarou.
O ex-governador também afirmou que o Brasil precisa recuperar a ordem institucional.
“Quando você apresenta uma condição que não dá a você a condição do exemplo e de correção de rumos, o Brasil continuará da maneira como ele está”, disse.
Caiado acrescentou que o comentário vale para todos os nomes que pretendem disputar o Planalto em 2026.
“Isso aí cabe a todos que venham amanhã a disputar a Presidência da República”, afirmou.
Durante o evento promovido pela Confederação Nacional de Municípios, Caiado também comentou temas econômicos e trabalhistas. O pré-candidato evitou defender explicitamente o fim da escala 6×1, mas afirmou apoiar negociações diretas entre empregadores e trabalhadores.
“Eu a vida toda defendi que cada cidadão tivesse o direito de trabalhar quantas horas ele quiser trabalhar”, declarou.
Segundo ele, patrões e empregados deveriam definir a jornada de forma individual.
Ao defender esse modelo, Caiado repetiu posicionamento apresentado por Flávio Bolsonaro no mesmo evento. O senador do PL afirmou ontem (19) que a discussão sobre o fim da escala 6×1 é “legítima”, mas “inoportuna e eleitoreira”, defendendo negociação entre trabalhador e empresário.
O discurso de Caiado na Marcha dos Prefeitos durou cerca de 42 minutos, apesar do tempo inicial previsto pela organização ser de cinco minutos. Integrantes da plateia reagiram com gritos de “deixa ele falar” quando a organização tentou encerrar a participação do pré-candidato.