Marcello Lopes antecipou seu retorno ao Brasil para participar da reunião de alinhamento convocada por Flávio Bolsonaro com a bancada do PL no Congresso Nacional. Como registramos no fim de semana, ‘Marcelão’ havia saído de férias para Orlando (FL) em meio à crise envolvendo os diálogos do senador com Daniel Vorcaro, para financiamento do filme Dark Horse — que conta a história da campanha de 2018 de Jair Bolsonaro.
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Apesar de não haver indícios de crimes no pedido de patrocínio do banqueiro, problemas na comunicação acabaram alimentando a narrativa do site Intercept. Flávio confirmou que o dinheiro para o filme era de Vorcaro, enquanto a produtora emitiu uma nota dizendo que não havia recursos do Master. Na prática, o que banqueiro fez foi acionar o empresário Antonio Freixo, dono do grupo Entre, para que fizesse o aporte.
Flávio entrou no circuito após ser acionado por Mário Frias, responsável por conectar o senador ao publicitário Thiago Miranda, que intermediava o contato de Vorcaro com a mídia. Dos US$ 24 milhões prometidos por Vorcaro para o Dark Horse, a Entre só pagou metade. Diante da dívida, o senador foi acionado novamente para cobrar uma posição do banqueiro. O diálogo ocorreu na véspera de sua prisão, em meio à busca por uma solução de mercado para a crise de liquidez da instituição.
Até aquela data, Vorcaro mantinha contato diário com diretores do Banco Central e do FGC, além de empresários, agentes políticos e de mídia. O Master era tido como uma instituição financeira em ascensão, patrocinando programas de TV em todas as grandes emissoras, sites de notícias e jornais. Não havia suspeitas de corrupção e os indícios de gestão temerária se chocavam com a boa reputação de seus parceiros de mercado, essencialmente o BTG e a XP, que mais distribuíram CDBs do banco.
Só a partir de sua prisão, com a divulgação de detalhes da investigação da PF e do vazamento de mensagens do celular, é que a imagem do banqueiro mudou daquela de um executivo extravagante e arrojado para o de um mafioso. Nos meses seguintes, viriam à tona sua teia de relacionamentos com a cúpula do PT, do PP e do MDB, a mesma trinca que dilapidou a Petrobras. Suspeita-se agora que Vorcaro cresceu no vácuo deixado por grandes operadores do petrolão e com uma fachada formal de negócios que servia de biombo para as negociatas.