O governo dos Estados Unidos determinou a retirada do delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho do território americano após sua atuação no caso que envolveu a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (20) pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental.
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Em comunicado público, as autoridades americanas afirmaram que um agente estrangeiro tentou “contornar pedidos formais de extradição” para viabilizar ações consideradas de natureza política dentro dos Estados Unidos. Sem mencionar nomes, o texto ressaltou que o país não permitirá o uso de seu sistema migratório para esse tipo de finalidade.
“Nenhum estrangeiro tem o direito de manipular nosso sistema de imigração para burlar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos EUA. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”, diz a publicação.
A identidade do delegado foi confirmada pela Embaixada do Brasil em Washington. Marcelo Ivo atuava em cooperação com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE), órgão responsável por ações de fiscalização migratória e detenções administrativas.
Ivo teria atuado ilegalmente fazendo campana e perseguindo Ramagem em solo americano, a fim de descobrir seu endereço residencial. A partir de monitoramento físico, o delegado da PF teria feito uma denúncia anônima ao ICE, o serviço de imigração, resultando na detenção do ex-diretor da Abin.
Ramagem foi detido no último dia 13 de abril, na cidade de Orlando, na Flórida, a princípio por portar visto de turista vencido. O ex-deputado foi levado a um centro de detenção, mas acabou liberado dois dias depois, uma vez que aguarda pedido de asilo político devido à perseguição no Brasil.
Após deixar a custódia, Ramagem publicou um vídeo nas redes sociais em que agradeceu ao governo do então presidente Donald Trump. Segundo ele, a liberação ocorreu por decisão administrativa, sem necessidade de processo judicial ou pagamento de fiança.
Na ocasião da prisão, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, amigo pessoal de Ivo, chegou a emitir nota oficial congratulando-se pela prisão e afirmando que seria fruto de cooperação internacional, o que se mostrou falso.
Condenado ilegalmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado, Ramagem deixou o Brasil em 2025. Investigações apontam que ele teria saído do país de forma irregular, atravessando a fronteira por Roraima antes de seguir para o exterior.