Um empreendimento hoteleiro de alto padrão associado à família do banqueiro Daniel Vorcaro permanece fechado mais de uma década após o lançamento, no centro de Belo Horizonte. Previsto para operar durante a Copa do Mundo de 2014, o hotel nunca recebeu hóspedes e hoje é apontado como um “elefante branco” do setor imobiliário local. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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O projeto foi conduzido por empresas ligadas a Henrique Vorcaro, pai de Daniel, com investimento estimado em mais de R$ 200 milhões. À época, a iniciativa contou com incentivos municipais voltados à ampliação da rede hoteleira para o evento esportivo, incluindo facilidades urbanísticas e fiscais.
A proposta previa a transformação de um edifício de 37 andares em um hotel cinco estrelas, com centenas de apartamentos, centro de convenções e estrutura de alto padrão. A operação ficaria sob a bandeira Golden Tulip. No entanto, o cronograma não foi cumprido, e a obra acabou interrompida antes da conclusão.
Segundo análises do setor, a combinação de baixa demanda, dificuldades de financiamento e localização em uma área então degradada do centro contribuiu para o fracasso comercial. O modelo de condo-hotel, que previa a venda de unidades a investidores, também teve adesão abaixo do esperado, comprometendo o fluxo de caixa do projeto.
Com o atraso, o empreendimento perdeu benefícios vinculados à chamada “Lei da Copa” e passou a seguir regras urbanísticas mais restritivas, além de acumular pendências administrativas. Atualmente, o imóvel não possui alvará de funcionamento e registra débitos relacionados a taxas municipais, conforme informações da prefeitura.
O histórico inclui ainda a saída de parceiros ao longo do tempo. Empresas responsáveis por construção, comercialização e operação hoteleira rescindiram contratos diante do descumprimento de prazos. A operadora original do hotel deixou o projeto em 2016, antes mesmo de qualquer início de فعالیت.
O caso também gerou insatisfação entre investidores que adquiriram unidades no modelo proposto. Parte deles buscou ressarcimento na Justiça após o insucesso da iniciativa, segundo relatos do mercado.
Em nota, Henrique Vorcaro afirma que o empreendimento está “praticamente concluído”, com cerca de 95% das obras finalizadas, e que busca um novo parceiro para viabilizar a abertura. “Duas incorporadoras se apresentaram para viabilizar a abertura do hotel ao mercado, e as propostas estão sendo avaliadas”, disse.
O empresário atribui o insucesso inicial a fatores como o excesso de oferta hoteleira após a Copa e a deterioração das condições econômicas, posteriormente agravadas pela pandemia. Ele afirma ainda que propostas de venda, inclusive para o setor hospitalar, foram analisadas nos últimos anos, mas não avançaram.
Mais de dez anos após o anúncio, o prédio segue sem função definida e se tornou um dos principais exemplos de projetos que não se concretizaram no contexto dos investimentos impulsionados pela Copa do Mundo no Brasil.