A Polícia Federal (PF) informou nesta terça-feira (28) que voltou a conceder acesso institucional a um agente do governo dos Estados Unidos que atua em Brasília. As credenciais haviam sido suspensas dias antes, em resposta à decisão americana de retirar do país um delegado brasileiro envolvido no caso do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ).
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De acordo com a corporação, a liberação ocorreu na segunda-feira (27) e encerra, ao menos por ora, a aplicação direta do princípio da reciprocidade, instrumento diplomático que prevê medidas equivalentes entre países diante de ações consideradas assimétricas.
Durante o período de restrição, o agente norte-americano ficou impedido de entrar nas dependências da PF e de acessar sistemas compartilhados usados em operações conjuntas entre os dois países.
A crise teve início após o governo dos Estados Unidos determinar a saída do delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava em cooperação com autoridades locais. Ligado às tratativas envolvendo Ramagem, o policial exercia funções junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), em Miami, com foco na localização de foragidos brasileiros.
A decisão americana foi acompanhada de críticas públicas. Em manifestação oficial, autoridades dos EUA afirmaram que o delegado teria tentado contornar procedimentos formais de extradição, insinuando motivação política, alegação que não foi acompanhada de detalhamento.
A reação brasileira veio em duas frentes. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinou a suspensão de acesso de um agente estrangeiro às instalações da corporação. Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores cancelou o visto de outro representante americano, que deixou o país no último dia 23.
Esse segundo agente, identificado como Michael Myers, atuava desde 2024 no intercâmbio de informações entre as polícias dos dois países, dentro de acordos de cooperação.
O Itamaraty classificou a medida adotada pelos Estados Unidos como uma quebra de prática diplomática e comunicou formalmente a aplicação da reciprocidade.
O pano de fundo da crise é a detenção de Alexandre Ramagem em território americano. Apontado como foragido pela Justiça brasileira, ele foi alvo de um pedido de extradição. A Polícia Federal sustenta que a ação ocorreu dentro dos mecanismos de cooperação internacional, enquanto autoridades dos EUA afirmam que a abordagem se deu por questões migratórias.
Ramagem acabou liberado dois dias depois e permanece nos Estados Unidos enquanto aguarda a análise de um pedido de asilo.