Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apontam que o grupo J&F realizou um pagamento de R$ 1 milhão ao escritório fundado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), poucos dias após a formalização de um contrato entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e a PicPay. As informações são do portal Metrópoles.
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De acordo com os documentos, a transferência foi feita em 4 de outubro de 2024. Pouco antes, em 16 de setembro, a Secretaria de Economia do DF havia firmado um termo que autorizou a plataforma financeira a oferecer antecipação salarial a servidores públicos, com desconto direto em folha. O credenciamento foi oficializado no Diário Oficial no fim daquele mês.
Segundo informações da própria secretaria, a PicPay foi, até então, a única empresa a concluir todas as etapas necessárias para ofertar o serviço, que não prevê cobrança de juros. Posteriormente, outra instituição iniciou processo de habilitação, ainda em análise.
Os registros do Coaf indicam que, ao longo do tempo, os repasses da J&F ao escritório somam cerca de R$ 34 milhões, relacionados à prestação de serviços jurídicos. A banca, por sua vez, afirma atuar há décadas na defesa do grupo em centenas de processos judiciais.
Procurado, Ibaneis Rocha declarou não haver qualquer irregularidade. “Não existe nada de errado no contrato firmado pelo escritório. A prestação do serviço está lá. Os processos são públicos”, disse.
O governador também afirmou que não participa da gestão da banca atualmente e negou relação entre os pagamentos e o contrato firmado com o GDF.
Sobre o credenciamento da PicPay, Ibaneis sustentou que o processo ocorreu por meio de chamamento público.
“Nós não escolhemos uma empresa. Houve abertura para várias, e as que atenderam aos requisitos foram habilitadas”, afirmou.
Em nota, o escritório destacou sua atuação “íntegra” ao longo de mais de 30 anos e repudiou o que classificou como tentativa de criminalização da atividade advocatícia. Já a J&F declarou que os pagamentos decorrem de serviços prestados há mais de uma década e negou qualquer vínculo entre os repasses e decisões do governo local.
A empresa também afirmou que eventuais vazamentos de informações financeiras devem ser investigados.