O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, reconheceu que sua possível saída do PSOL para o PT pode comprometer o futuro da legenda, que deve perder quadros e enfrentar dificuldades com a cláusula de barreira.
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A declaração ocorre em meio a críticas internas dentro do partido. Uma ala dissidente acusa Boulos de abrir mão de posições da sigla para se aproximar do grupo do Lula.
Boulos afirmou que a decisão será tomada até 4 de abril, prazo para mudanças partidárias antes do registro de candidaturas.
“Nós não acreditamos em uma esquerda que pregue só para convertido, não busque disputar maiorias na sociedade e não põe o pé no barro. Esse não é modelo de esquerda que a gente defende”, disse.
O ministro também reconheceu o impacto direto de uma eventual saída em grupo.
“Uma saída do nosso grupo agora praticamente inviabilizaria a existência institucional do PSOL. […] Com todas essas lideranças saindo, a dificuldade do partido de ultrapassar a cláusula de barreira se tornaria ainda maior, talvez quase como uma inviabilidade”, afirmou.
A movimentação ocorre em meio a uma crise interna no PSOL. Uma carta divulgada por integrantes do partido critica a possível migração e questiona a condução política do processo.
O documento aponta que a decisão teria sido construída anteriormente e levanta dúvidas sobre a tentativa de federação com o PT.
A proposta de federação não teve consenso dentro da legenda e encontrou resistência de parlamentares como Sâmia Bomfim, Luiza Erundina, Glauber Braga e Chico Alencar.
A divergência ampliou o racha interno entre correntes do partido. Apesar disso, o PSOL decidiu manter apoio à reeleição do presidente Lula.
Boulos se filiou ao PSOL em 2018 e ganhou projeção nacional após disputar a Presidência da República e a Prefeitura de São Paulo.