A herança maldita de Haddad

Fernando Haddad no lançamento de seu livro em São Paulo. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Fernando Haddad foi anunciado ontem (19) como pré-candidato do PT ao governo de São Paulo e deixou o comando do Ministério da Fazenda. O atual secretário-executivo, Dario Durigan, deve assumir a pasta.

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A candidatura foi definida pelo presidente Lula, que trata São Paulo como prioridade eleitoral para 2026. Haddad inicialmente resistiu à disputa e preferia o Senado, mas aceitou a decisão. O presidente do PT paulista, Kiko Celeguim, afirmou: “Está resolvido”.

A gestão de Haddad foi marcada por aumento da arrecadação federal. Em janeiro de 2026, o governo registrou R$ 325,7 bilhões em receitas, o maior valor desde o início da série histórica, em 1995.

No período, a carga tributária subiu de 31,2% do PIB, em 2022, para 32,3% em 2024. A participação do governo central avançou de 20,6% para 21,4%.

Levantamentos apontam a adoção de 28 medidas de aumento de arrecadação, incluindo mudanças em tributos e ampliação de bases de cobrança.

Déficits persistentes

Mesmo com o crescimento das receitas, as contas públicas seguiram no vermelho. O resultado primário, que havia registrado superávit de 1,25% do PIB em 2022, passou para déficit de 2,28% já em 2023.

Nos anos seguintes, o governo manteve saldo negativo, com dificuldades para cumprir metas fiscais. O déficit nominal — que inclui juros da dívida — permaneceu elevado, na casa de R$ 1 trilhão por ano.

O custo dos juros seguiu pressionando as contas públicas, com impacto direto no equilíbrio fiscal.

Dívida em alta

A trajetória da dívida pública se manteve ascendente ao longo da gestão. Em 2023, o indicador estava em 71,7% do PIB. Ao final de 2024, chegou a 76,1% e atingiu cerca de 79% em 2025.

Dados mais recentes indicam dívida próxima de R$ 10 trilhões, equivalente a cerca de 78,7% do PIB. Projeções do Tesouro Nacional apontam avanço para mais de 81% em 2026, enquanto estimativas de mercado indicam patamar ainda maior.

O aumento reflete principalmente o peso dos juros nominais, que adicionaram quase nove pontos percentuais à dívida no período.

Juros elevados e impacto econômico

O cenário fiscal pressionou a taxa básica de juros, que permaneceu em patamar elevado. O custo do crédito impactou consumo, investimento e atividade econômica.

A economia apresentou crescimento, mas em desaceleração. Após expansão mais forte em 2024, o PIB perdeu ritmo em 2025 e segue com projeções moderadas para os próximos anos.

Parte do crescimento recente foi puxada por fatores específicos, como o desempenho do agronegócio, enquanto outros setores tiveram avanço mais limitado.

Inadimplência e recuperação judicial

Indicadores apontam aumento da inadimplência e recordes em pedidos de recuperação judicial no período. O ambiente de juros altos e crédito restrito contribuiu para a deterioração das condições financeiras de empresas e famílias.

Estratégia fiscal

A condução da política econômica priorizou o aumento de receitas como forma de ajuste fiscal. Medidas incluíram revisão de benefícios tributários, mudanças no Imposto de Renda e ampliação da base de arrecadação.

O governo também avançou com a reforma tributária sobre consumo, que instituiu um modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA).

Cenário político

A saída de Haddad ocorre em meio à reorganização eleitoral. Em São Paulo, pesquisa Datafolha indica o governador Tarcísio de Freitas com 44% das intenções de voto, enquanto Haddad aparece com 31%.

Nos bastidores, a candidatura é tratada como central para o projeto nacional do PT em 2026. A movimentação ocorre em um cenário de pressão política e disputa ampliada no campo eleitoral.



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