O último tratado de controle de armas nucleares entre EUA e Rússia expirou na virada de ontem (04) para hoje (05). O New START, que impunha limites ao nº de mísseis, lançadores e ogivas nucleares estratégicas de cada país, era o único acordo ainda em vigor entre as duas maiores potências nucleares do mundo.
Firmado em 2010 e renovado pela última vez em 2021, o tratado integrava uma série de pactos de controle armamentista estabelecidos desde a Guerra Fria.
O auticrata russo, Vladimir Putin, propôs que Moscou e Washington mantivessem as principais disposições do acordo por mais 1 ano. O presidente dos EUA, Donald Trump, porém, não respondeu formalmente à proposta.
Trump defende um novo tratado que inclua a China, que se recusa a participar das negociações sob o argumento de possuir um arsenal significativamente menor: cerca de 600 ogivas nucleares, contra aproximadamente 4 mil de russos e americanos.
Em nota divulgada na noite de ontem (04), poucas horas antes do vencimento do acordo, o governo russo criticou o que classificou como uma abordagem “errada e lamentável” dos EUA. Moscou afirmou que, com o fim do tratado, ele deixou de ter validade e que ambos os países estão livres para definir seus próximos passos.
“A Rússia continua preparada para tomar contramedidas militares e técnicas decisivas para mitigar potenciais ameaças adicionais à segurança nacional”, diz o comunicado. Ao mesmo tempo, o governo russo afirmou que pretende agir de forma responsável e permanece aberto à diplomacia para buscar uma “estabilização abrangente da situação estratégica”.
Trump não se pronunciou quando o tratado expirou. A Casa Branca informou nesta semana que o presidente dos EUA decidirá os próximos passos da política de controle de armas nucleares, o que ele “esclareceria em seu próprio cronograma”.
Nesta quinta (05), o regime comunista chinês lamentou o fim do New START, mas reiterou que não participará de negociações trilaterais para redução de arsenais nucleares. Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que o país mantém uma estratégia defensiva.
“As forças nucleares da China não estão no mesmo nível das dos Estados Unidos e da Rússia, e a China não participará das negociações de desarmamento nesta fase”, disse Jian.
“A China tem aderido consistentemente a uma estratégia nuclear de autodefesa, respeitado a política de não uso primeiro de armas nucleares e assumido compromissos incondicionais de não usar ou ameaçar usar armas nucleares contra Estados não nucleares ou zonas livres de armas nucleares”, continuou o ministro.
De acordo com o porta-voz chinês, “a comunidade internacional está preocupada que o vencimento do tratado terá um impacto negativo no sistema internacional de controle de armas nucleares e na ordem nuclear global”.
Também ontem (04), o secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o fim do acordo como um momento grave para a paz e a segurança do mundo e apelou para que EUA e Rússia negociem rapidamente um novo tratado.
“Pela primeira vez em mais de meio século, enfrentamos um mundo sem quaisquer limites vinculativos para os arsenais nucleares estratégicos da Federação Russa e dos Estados Unidos da América — os dois Estados que detêm a esmagadora maioria do estoque global de armas nucleares”, afirmou Guterres em comunicado.