A presidente do TSE, Cármen Lúcia, determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral que apontava vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) em um eventual 2º turno da disputa presidencial de 2026.
A decisão foi tomada na última sexta (30), depois que a ministra verificou, após a Corte ser acionada pelo PT, que o levantamento não possuía registro prévio na Justiça Eleitoral.
O estudo foi publicado pela consultoria mexicana Áltica Research na terça (27) e trazia avaliação do governo atual e intenção de voto, sem o registro obrigatório no TSE.
Segundo a empresa, a pesquisa foi realizada entre os dias 23 e 25 de janeiro, com 1.200 entrevistados com 18 anos ou mais em todo o país. No levantamento, Flávio aparecia com 48% das intenções, contra 46% de Lula, dentro da margem de erro de 2,83%.
O levantamento utilizou painel web recrutado por river sampling, ajustado posteriormente para refletir a distribuição da população brasileira.
A liminar do TSE ocorreu após representação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que alegou que a empresa divulgou percentuais, comparações e projeções eleitorais sem registro no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle).
No site da Áltica, a pesquisa é descrita como parte do projeto “Painel Opiniões Públicas América Latina 2026″, realizada e financiada de forma independente. A empresa já removeu a pesquisa das redes sociais.
Na decisão, Cármen Lúcia destacou que a falta de registro e a circulação digital da pesquisa representam risco à formação da opinião pública, justificando a adoção imediata da medida para interromper a divulgação.
Segundo a legislação do TSE, toda pesquisa sobre eleições deve ser registrada com antecedência mínima de cinco dias a partir de 1º de janeiro do ano eleitoral.