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Uma pesquisa recente revelou que 96% dos brasileiros entrevistados apoia a realização de um exame nacional de proficiência para médicos, tal qual a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) faz com bacharéis de direito. A ideia é garantir a qualidade diante do aumento da formação de médicos pelo país.

A proposta da OAB dos médicos tem avançado no Congresso Nacional com apoio de algumas das principais entidades médicas do país, como o Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Médica Brasileira (AMB), mas enfrenta objeções de outras associações como a Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (Denem) e a Associação Brasileira de Educação Médica (Abem).


Segundo o levantamento do Datafolha feito a pedido do CFM, 96% dos brasileiros avaliam que os profissionais precisam ser aprovados em uma prova antes de atender e, para 92%, a aplicação do exame de proficiência para todos os médicos recém-formados aumentaria a confiança no atendimento. O instituto fez 10.524 entrevistas em todo o Brasil, distribuídas em 254 municípios.

Para o CFM, o levantamento mostra que a organização de uma prova regulamentada é fundamental e urgente. “A criação do exame nacional de proficiência em Medicina terá um impacto direto na qualidade do atendimento médico no país, tendo como objetivo central certificar competências profissionais, éticas, teóricas e clínicas, garantindo mais segurança aos pacientes”, afirma o presidente do conselho, José Hiran da Silva Gallo.

Como funcionará a OAB dos médicos?

A aprovação será necessária para recebimento do registro médico, e o projeto de lei em tramitação prevê que a prova seja aplicada, no mínimo, duas vezes ao ano em todas as unidades da federação. Assim como ocorre com a OAB, quem não fosse aprovado teria direito a tentar novamente, sem limite mínimo de tentativas.

Para alguns grupos de estudantes, porém, a criação do exame e os custos que podem estar envolvidos aumentam os já elevados gastos para a formação em medicina e transforma o curso em algo mais inacessível.

“Quem paga passa. Quem não pode pagar, não passa. Um exame de proficiência servirá para fomentar a mercantilização e os lucros da formação médica. Quem atualmente já não pode pagar por uma residência será ainda mais prejudicado com esse mecanismo predatório”, afirmou o Denem em nota divulgada no fim de agosto.