O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a criticar duramente o Supremo Tribunal Federal (STF) e o processo de pacificação adotado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, após as manifestações de 7 de setembro de 2021. Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Eduardo declarou que o momento agora é de “tudo ou nada” e que “não há mais espaço para acordos” com a Corte.
Segundo ele, a famosa carta de recuo assinada por Jair Bolsonaro, redigida com a ajuda do ex-presidente Michel Temer, foi um erro estratégico. “A carta foi a prova de que não dá para ter acordo com o STF. Foi ingênuo achar que isso traria paz institucional. O que veio depois foi perseguição, cassações e prisões”, afirmou o parlamentar.
Eduardo citou como exemplo o caso do ex-deputado Daniel Silveira, que foi condenado e preso mesmo após ter sido beneficiado por um indulto presidencial concedido por Jair Bolsonaro. “Nem o instituto da anistia, que é previsto na Constituição, eles respeitam. O perdão do presidente foi simplesmente ignorado. Isso mostra que a luta não é jurídica, é política. E é uma luta pela nossa sobrevivência”, disse.
Para o deputado, há uma perseguição em curso contra os conservadores no Brasil. “O que está acontecendo é a destruição de um grupo político inteiro. E isso não vai parar com conversa ou com nota oficial. Estamos vivendo um tudo ou nada”, disparou.
A publicação vem em meio a novos episódios de tensão entre o Judiciário e apoiadores do ex-presidente. Nas redes sociais, Eduardo recebeu apoio de seguidores que concordam com o tom mais combativo. “É hora de reagir, chega de recuar”, escreveu um internauta.
As declarações, contudo, também geram críticas e reacendem o debate sobre os limites do embate entre Poderes no Brasil. Juristas ouvidos por veículos da grande imprensa afirmam que a anistia prevista na Constituição não se aplica automaticamente a todos os casos e que o STF tem agido dentro da legalidade ao analisar os processos.
Ainda assim, o discurso de Eduardo Bolsonaro aponta para uma radicalização do discurso de parte da direita brasileira, especialmente diante da aproximação das eleições presidenciais e da crescente pressão sobre figuras ligadas ao bolsonarismo.
Por Júnior Melo