O presidente reeleito Lula (PT) iniciou na quinta-feira (05) uma série de encontros para discutir a conjuntura econômica do país. A reunião de ontem (06), no Palácio do Planalto, contou com a participação de integrantes do governo e economistas convidados.
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No quarto mandato, Lula terá de lidar com problemas econômicos criados por sua própria gestão: dívida pública de R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do PIB, custo de vida elevado, endividamento recorde das famílias e previsão de crescimento menor em 2027.
Estiveram presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), os ministros Dario Durigan (Fazenda), Miriam Belchior (Casa Civil), Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) e Esther Dweck (Gestão e Inovação), além do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Também participaram os ex-ministros Fernando Haddad e Guido Mantega, o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho e os economistas Laura Carvalho e Eduardo Moreira.
Mantega, Coutinho, Carvalho e Moreira têm viés progressista. Mantega é defensor do social-desenvolvimentismo, corrente que aposta na participação do Estado na economia, na expansão do crédito e nos investimentos públicos como motores do crescimento econômico.
Durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda, no governo Dilma Rousseff, Mantega foi responsável por desarranjos fiscais, controle artificial de preços, manobras contábeis (conhecidas como “pedaladas fiscais”) e decisões de redução forçada dos juros. Essas medidas desorganizaram a economia e culminaram na maior recessão da história do Brasil, entre 2014 e 2016.
Laura Carvalho, por sua vez, participou, em 2018, da elaboração de propostas econômicas para a candidatura de Guilherme Boulos à Presidência. Em entrevista ao Canal Meio, divulgada nesta semana, ela defendeu, entre outros pontos, que um eventual ajuste fiscal no quarto governo Lula não prejudique o crescimento econômico.
“Eu acho que o que pode gerar uma recessão é uma tentativa de corrigir essa trajetória da dívida de uma maneira recessiva, porque há jeitos de ajustar (…) que são compatíveis com uma trajetória de crescimento econômico”, afirmou a economista.
Eduardo Moreira é empresário, economista, escritor e fundador do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), de esquerda. Ele critica o sistema financeiro e as altas taxas de juros no Brasil. Entre as bandeiras que defende está o aumento da tributação sobre os mais ricos como caminho para reduzir a desigualdade social.
Luciano Coutinho, por sua vez, sucedeu Mantega na presidência do BNDES, cargo que ocupou entre 2007 e 2016, durante os governos Lula e Dilma Rousseff. Ele defende uma maior participação do Estado no financiamento de investimentos e no estímulo à indústria nacional. Também apoia o fortalecimento do BNDES, a ampliação dos investimentos em infraestrutura e a adoção de políticas públicas voltadas à inovação e ao crescimento econômico.
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