Bancos passam a prever manutenção da Selic em 13,75% após eleição de Lula

A reeleição de Lula (PT) e o aumento dos riscos inflacionários levaram bancos e corretoras a rever as projeções para a taxa Selic. A maioria passou a esperar a manutenção dos juros em 13,75% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (04), em vez do corte de 0,25 ponto percentual previsto antes do 2º turno. A informação é da CNN Brasil.

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As opções de Copom negociadas na B3 mostram a mudança nas expectativas. Antes da eleição, a probabilidade de corte em novembro superava 70%. Após a vitória de Lula, a chance implícita de manutenção da Selic chegou a 68,8%.

Os contratos não representam uma projeção oficial da B3. As probabilidades são calculadas com base nos preços negociados e indicam quanto os participantes do mercado estavam dispostos a pagar por cada cenário na data de referência.

O Itaú Unibanco prevê que o Copom mantenha a Selic em 13,75%, por decisão unânime. O banco espera que o comitê destaque a piora das expectativas de inflação, o cenário internacional e os riscos fiscais.

“Esperamos que o Copom comunique uma interrupção do ciclo de cortes de juros com manutenção da taxa Selic em 13,75%, em decisão unânime. O comitê deve notar que o contexto global adverso, a desancoragem adicional das expectativas de inflação e os riscos elevados em torno do cenário base exigem cautela e perseverança no cumprimento de seu mandato”, conclui.

O HSBC também prevê a manutenção dos juros em 13,75% até março de 2027. Segundo o banco, a situação das contas públicas será determinante para as próximas decisões do Banco Central.

“É improvável que surjam medidas claras para conter os gastos públicos antes das reuniões do Copom de novembro e dezembro. Enquanto isso, os riscos de inflação aumentaram, com preços mais altos de energia e alimentos, custos crescentes dos subsídios aos combustíveis e o possível impacto de uma semana de trabalho mais curta”, aponta o HSBC em relatório.

O banco projeta que a Selic termine 2027 em 12,50%. Também estima IPCA de 5,1% em 2026 e de 5% em 2027. Para o PIB, prevê crescimento de 1,6% neste ano e de 0,6% no próximo.

“O principal risco é que as expectativas de inflação se desancorem. Com as taxas de inflação de equilíbrio já subindo acentuadamente e a incerteza fiscal permanecendo elevada, os participantes do mercado podem questionar o compromisso do BC com a meta de inflação”, aponta.

O mercado também acompanha os efeitos dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e dos combustíveis. O Itaú BBA avalia que o cenário internacional passou de “incerto” para “adverso”.

“A guerra no Oriente Médio dá sinais de que pode ser mais duradoura e, mesmo com aumento significativo das exportações de petróleo da região, os maiores custos de frete, seguros e um prêmio de risco elevado trouxeram as cotações da commodity para perto dos níveis observados no início do conflito”, diz o relatório.

Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, também prevê a manutenção da Selic em 13,75% até o fim de 2027. Ele lembra que, na reunião de setembro, o Banco Central adotou uma postura cautelosa e mencionou a possibilidade de ajustes no ciclo de calibração conforme novas informações fossem divulgadas.

Desde então, as projeções do boletim Focus para inflação, câmbio e juros pioraram, enquanto os preços do petróleo subiram.

O BTG Pactual também espera a manutenção dos juros. Para o banco, a deterioração do cenário econômico e a volatilidade dos ativos justificam a interrupção do ciclo de cortes. A instituição avalia que o Copom deve aguardar informações mais claras sobre a política fiscal e seus efeitos sobre os preços dos ativos e as expectativas.

“Em um ambiente de incerteza dessa magnitude, essa é a postura que faz mais sentido: dependência dos dados e espera por maior clareza”, afirma o banco.

O Inter mantém a projeção de corte de 0,25 ponto percentual em novembro, mas espera que o Copom anuncie uma pausa no ciclo de redução dos juros em dezembro. Em relatório assinado pela economista-chefe Rafaela Vitória, o banco prevê que a inflação se aproxime de 6% em 12 meses até fevereiro.

A estimativa considera a alta do câmbio, a retirada dos subsídios à gasolina, o fim da escala 6×1 e a implementação do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) em 2027.

O Inter elevou de 3,9% para 5% a projeção do IPCA de 2027. O banco também aponta que a desaceleração econômica e os choques inflacionários podem afetar a atividade e a geração de empregos.

A instituição não descarta uma retomada do ciclo de alta da Selic “caso o governo protele o anúncio de medidas fiscais ou siga a execução orçamentária com imprevisíveis programas e criação de crédito extraordinário”.

O ASA reconhece um aumento “significativo” na probabilidade de manutenção dos juros em novembro, diante da desvalorização do real, da alta dos prêmios de risco e das incertezas fiscais. Mesmo assim, ainda prevê corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 4 de novembro. Caso a redução ocorra, espera que o Copom adote um tom cauteloso e sinalize menor espaço para novos cortes.

Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, também prevê redução da Selic em novembro, com base nos dados de atividade econômica. Para ele, o conteúdo do comunicado do Banco Central será mais importante do que a decisão de cortar ou manter os juros.

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