Pedro Serrano, um dos principais nomes do Prerrô, deu uma entrevista surpreendente a Luís Nassif. Nela, ela defende “investigação rigorosa de denúncias contra ministros do STF, a criação de um código de conduta severo, o fim da espetacularização das sessões penais e a mudança da sede do Judiciário para fora de Brasília”.
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“Sem essas correções de rumo, o tribunal corre o risco de desmoronar sob o peso dos próprios desvios da promiscuidade com o poder econômico e político”, relata o site GGN.
No “pacote de moralização”, Serrano (que diz não ser moralista) afirma que se “o cara que resolveu ser ministro do Supremo tem que fazer uma opção de vida. Proibir de advogar”.
“O Supremo não é lugar para construir biografia nem ser alavanca. Acabou o exercício da advocacia. O estado tem que pagar para ele uma aposentadoria, como paga para presidente da República, e ele vai para casa. Pode exercer atividade acadêmica, mas advogar não pode. E a questão dos filhos de ministros participarem de ações nos tribunais onde os pais atuam também não pode. Tá uma festa, não dá. Isso tá desmoralizando a instituição.”
Vale lembrar que o jurista chegou a ser citado nas investigações da Lava Jato, embora não tenha virado réu. Na ocasião, alegou que sofria retaliação da Lava Jato por investigar os acordos internacionais da força-tarefa e classificou as prisões preventivas como “métodos medievais” e “stalinistas”. Nada falou, porém, sobre a perseguição de Moraes à direita, seus atos de censura, as prisões arbitrárias e condenações sumárias.
Serrano poderia ter aproveitado a deixa para criticar a decisão de Moraes de apreender o passaporte de Flávio Bolsonaro, apenas 7 minutos após a vitória matemática de Lula nas urnas. Não falou nem vai falar, pois não se trata de defender a legalidade. O PT apenas está se dando conta de que ajudou a alimentar o monstro que pode devorá-lo amanhã. Manter Moraes é politicamente inconveniente.
Retirá-lo, porém, pode ajudar Lula a abrir novas vagas no Supremo, a serem ocupadas por advogados de esquerda, como o próprio Serrano. Na prática, trata-se de disputa por hegemonia. Se além de Moraes, for possível derrubar Dias Toffoli, Kássio Nunes Marques e até André Mendonça, como ele sugere, ainda melhor para alcançar esse objetivo. Claro que tudo isso é apenas um balão de ensaio, por isso o PT escolheu Serrano para dar tais declarações e não o próprio Marco Aurélio Carvalho, fundador do Prerrogativas e amigo pessoal de Lula e Janja — ficaria muito na cara.
Se vai conseguir seu intento, é incerto. Para promover a limpa via STF, precisará que Edson Fachin assuma esse protagonismo e rápido, antes que Moraes assuma a presidência da Corte em setembro de 2027. Ou terá que recorrer ao Congresso, onde, ironicamente, precisará do apoio da direita, que precisa capitalizar para si ao máximo essa disputa intrasistema.
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