Correios planejam comprar 63,8 mil computadores sob sigilo

Às vésperas das eleições, os Correios planejam adquirir 63.815 microcomputadores, mas mantêm sob sigilo o valor estimado da contratação. O processo foi analisado pela Controladoria-Geral da União (CGU), que apontou riscos de desperdício de recursos públicos diante das especificações técnicas exigidas no edital.

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A aquisição ocorre em meio à grave crise financeira da estatal, que registrou prejuízo de R$ 5,5 bilhões no primeiro semestre deste ano. Para enfrentar as dificuldades de caixa, a empresa recorreu a empréstimos de aproximadamente R$ 20 bilhões e recebeu um aporte de R$ 6 bilhões da União.

No relatório sobre o Pregão Eletrônico nº 26000215/2026, a CGU informou que os Correios estabeleceram como requisitos mínimos para os equipamentos 32 GB de memória RAM DDR5 e armazenamento SSD NVMe de, no mínimo, 480 GB. Para o órgão de controle, os documentos apresentados inicialmente pela estatal não demonstravam de maneira objetiva a necessidade dessa configuração para todos os postos de trabalho contemplados.

A controladoria alertou que a escolha de máquinas com especificações superiores às necessárias pode elevar os custos da contratação. Em uma aquisição dessa dimensão, a diferença de preço entre equipamentos básicos, intermediários e de alto desempenho pode representar impacto financeiro expressivo.

“Assim, entende-se que a opção mais onerosa deve ser precedida de justificativa técnica robusta e detalhada”, destacou a CGU no documento. O órgão também apontou a necessidade de demonstrar por que configurações mais econômicas seriam insuficientes para atender às demandas da empresa.

O procedimento prevê a compra por meio do Sistema de Registro de Preços (SRP). No relatório, o valor estimado aparece como informação suprimida a pedido dos Correios, com restrição de acesso fundamentada na Lei nº 13.303/2016, que trata do estatuto jurídico das empresas públicas e sociedades de economia mista.

A abertura da licitação estava inicialmente prevista para 26 de junho de 2026. Segundo a própria CGU, a análise utilizou informações extraídas do portal Licitações-e e foi realizada por meio de um sistema automatizado do órgão, sem a designação específica de auditores para uma investigação individualizada de possíveis irregularidades.



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