Willer Tomaz rebate Richarlison: “Você comprou a ilha de invasores”

O advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL), rebateu as acusações do atacante Richarlison sobre a posse de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). Tomaz afirma que sua empresa tem escritura pública, registro em cartório e documentação da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Segundo ele, o jogador adquiriu direitos sobre o imóvel de pessoas que não eram proprietárias da área.

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“Você mostrou os papéis que possui, e todos foram verificados pela Justiça. Eles provam uma coisa só: você comprou a ilha de invasores. Olha seu contrato: quem te vendeu não era o dono, era o posseiro, e o papel diz que o vendedor ‘se declara possuidor’”, declarou o advogado nas redes sociais.

Tomaz também questionou a alegação de Richarlison de que teria investido R$ 10 milhões na aquisição da propriedade. Segundo o advogado, não foram apresentados documentos que comprovem a compra diretamente da empresa que, de acordo com ele, detinha os direitos sobre a área desde 1986.

“Dono de verdade tem escritura, tem registro em cartório, tem nome na SPU. Isso você não mostrou. Por quê? Porque você não tem. A dona, a empresa que tinha a ilha no nome desde 1986, não recebeu um centavo seu, e foi dela que eu comprei. Mas eu comprei com escritura pública, com registro da escritura no cartório, com certidão da SPU em meu nome.”

Disputa judicial e versões divergentes

A controvérsia envolve os direitos de ocupação do imóvel e a validade dos documentos apresentados pelas partes. Uma empresa ligada a Richarlison, a Sport 70, moveu ação contra a empresa WT, ligada a Tomaz, para tentar obter o reconhecimento de direitos sobre a área e questionar atos que favoreceram a empresa do advogado.

Segundo Tomaz, a empresa ligada ao jogador perdeu disputas judiciais em Angra dos Reis, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele afirma que, em 2025, os autores renunciaram às reivindicações no processo.

“Vocês perderam na Justiça em Angra, perderam no Tribunal de Justiça do Rio e perderam no STJ. Em 2025, assinou renúncia e abriu mão de tudo por escrito para não pagar sucumbência. A Justiça não falhou, Richarlison. Você que comprou de quem não podia vender.”

O agente do jogador, Oswaldo Botrel, afirmou à CNN Brasil que Richarlison comprou a ilha dos primeiros posseiros e daqueles que considerava os donos originais do terreno.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o atacante acusou Tomaz e Flávio Bolsonaro de terem tomado a posse do imóvel após ele se recusar a vendê-lo ao senador.

“Flávio e o tal Willer Tomaz pegaram em 24h a posse da ilha na mão grande e sem gastar um tostão porque eu não quis vender”, afirmou o jogador.

Richarlison também declarou ter procurado Flávio para tentar resolver o caso. O senador, segundo o advogado, não participou da compra nem da disputa pela propriedade.

Tomaz nega envolvimento de Flávio Bolsonaro

O advogado afirmou que a Secretaria do Patrimônio da União reconheceu a empresa WT como titular dos direitos sobre a área em resposta a questionamento judicial. Tomaz também disse que sua empresa comprou o imóvel com documentação formal.

“Flávio nunca vendeu, nunca comprou, nunca foi parte de nada disso. Quem comprou foi a minha empresa (…). Mas você mandou mensagem para um senador em ano de eleição pedindo dinheiro e avisando que a galera vai aproveitar. Isso tem nome: oportunismo com data marcada”, declarou.

O advogado ainda questionou uma mensagem que Richarlison teria enviado ao senador em abril, na qual mencionaria o período eleitoral. O jogador, por sua vez, sustenta que perdeu o imóvel após se recusar a vendê-lo.

A disputa também chegou ao debate público depois que o grupo Derrubando Muros, formado por sociólogos, empresários e juristas, pediu ao Ministério Público que investigue Flávio Bolsonaro por suspeitas de advocacia administrativa e grilagem. O pedido é uma solicitação de apuração, não uma conclusão sobre a ocorrência de crimes.

O caso envolve, portanto, versões opostas sobre a origem dos direitos de ocupação da ilha, os pagamentos realizados e a documentação que fundamenta a posse. Tomaz afirma que os registros favorecem sua empresa; Richarlison sustenta que comprou o imóvel e busca recuperar a propriedade.



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