O presidente Lula (PT) confirmou hoje (25), durante ato no Recife, que assinará nesta tarde uma Medida Provisória (MP) para encerrar a atuação das bets no país. A assinatura ocorrerá em uma cerimônia oficial em São Paulo.
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“Quando chegar a São Paulo, eu tenho um ato oficial para assinar algumas coisas. Uma delas é para acabar com as bets”, afirmou Lula.
A declaração ocorreu em evento ao lado do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), candidato ao governo de Pernambuco, e dos candidatos ao Senado Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT).
Segundo o presidente, a medida está relacionada ao endividamento provocado pelas apostas e aos problemas associados à ludopatia.
“Não é correto a gente gastar o que não tem para tentar ganhar o que não existe.”
Lula também voltou a criticar os clubes de futebol que mantêm contratos de patrocínio com empresas de apostas. Segundo o presidente, as equipes terão de buscar outras fontes de receita caso as bets sejam proibidas.
“Os times de futebol não têm o direito de querer sobreviver às custas do povo pobre que torce para o time”, disse.
“Aprovamos as SAFs [Sociedades Anônimas do Futebol] para que os times virem empresas, mas eles não querem, porque querem mamar nas bets. Vão ter que arranjar outro jeito de ganhar dinheiro, porque as bets vão acabar”, concluiu.
Medida será assinada em São Paulo
O evento em que Lula deverá formalizar a MP foi denominado “apresentação de novas medidas de proteção às famílias e à economia popular”.
Depois da cerimônia, o presidente seguirá para um jantar com empresários em um hotel próximo à Avenida Paulista.
A decisão ocorre após semanas de declarações de Lula contra as apostas. Na quarta-feira (23), durante evento com artistas, o presidente afirmou que o fim das bets não seria uma “guerra”, mas uma “decisão”.
Lula também passou a relatar publicamente casos de pessoas que, segundo ele, desenvolveram dependência em jogos, perderam patrimônio e acumularam dívidas.
Bets entraram na disputa eleitoral
O tema passou a integrar os discursos e a propaganda eleitoral de Lula.
Durante evento com artistas no Rio de Janeiro, uma mensagem exibida em um telão dizia: “Flávio é bet, Lula é o caminho”.
O candidato à reeleição também afirmou que não pretende permitir que a ludopatia se espalhe entre a população.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) abordou o tema na quarta-feira (23). Ele classificou o PT como “partido do tigrinho” e afirmou ser contrário a “jogos de qualquer forma”, mas defendeu a possibilidade de controle das apostas esportivas realizadas em eventos reais.
Flávio também responsabilizou Lula pela regulamentação do setor.
“O Lula fica se fingindo de besta, mas liberou e regulamentou no seu governo”, declarou.
As apostas esportivas foram autorizadas durante o governo Michel Temer (MDB), em 2018. A legislação previa a regulamentação do setor até 2022, o que não ocorreu durante o governo Jair Bolsonaro.
Em 2023, já no terceiro mandato de Lula, o governo retomou a discussão sobre a regulamentação. Os jogos online, incluindo modalidades como o chamado “tigrinho”, foram incorporados à discussão legislativa durante a tramitação do texto na Câmara.
Diferença entre bets e cassinos online
As bets permitem apostas sobre acontecimentos reais, como partidas de futebol e basquete.
Já os cassinos online reproduzem virtualmente jogos de estabelecimentos físicos, como roleta, blackjack e pôquer. O chamado “jogo do tigrinho” pertence à categoria de caça-níqueis e, por isso, é classificado entre os jogos de cassino online.
Pesquisa Datafolha citada na reportagem aponta que 57% dos brasileiros consideram que as apostas online podem causar dependência.
Outro levantamento, realizado pela Hibou e divulgado no início de setembro, apontou que mais da metade dos brasileiros que apostam já atrasou o pagamento de alguma conta.
