A confiança dos brasileiros no trabalho do Supremo Tribunal Federal (STF) está em um dos níveis mais baixos da série histórica da AtlasIntel. Pesquisa divulgada nesta terça-feira (22) pelo instituto, em parceria com o Estadão, mostra que 61% dos entrevistados afirmam não confiar no trabalho e nos ministros da Corte, enquanto 27,8% dizem confiar. Outros 11,1% não souberam ou não quiseram responder.
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O levantamento foi realizado entre 17 e 21 de setembro, com 1.852 entrevistados recrutados por meio digital. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Em outro indicador, que mede especificamente a confiança na instituição, o STF aparece com 34% de confiança e 58% de desconfiança. Segundo os dados divulgados, os 34% representam o menor percentual de confiança registrado pela AtlasIntel desde o início da série histórica, em janeiro de 2023.
Avaliação dos ministros
A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre a imagem individual dos ministros do Supremo. Cármen Lúcia e André Mendonça registraram 47% de avaliações positivas, enquanto Flávio Dino teve 44%.
Alexandre de Moraes e Luiz Fux aparecem com 36% de avaliações positivas cada. Cristiano Zanin registrou 34%.
No campo negativo, Dias Toffoli teve 79% de avaliações negativas. Nunes Marques registrou 63%, enquanto Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes tiveram 59% cada.
Edson Fachin apareceu com 54% de avaliações negativas, seguido por Luiz Fux, com 49%, e Cristiano Zanin, com 48%.
Cármen Lúcia foi a única ministra cuja avaliação positiva superou a negativa: 47% contra 38%. André Mendonça teve o mesmo percentual positivo, mas registrou 48% de avaliações negativas.
Imparcialidade é um dos pontos avaliados
O levantamento também analisou a percepção dos entrevistados sobre diferentes áreas de atuação do Supremo. A avaliação sobre a imparcialidade dos ministros em julgamentos envolvendo grupos políticos rivais registrou 75% de respostas classificando esse aspecto como ruim ou péssimo. Apenas 9% avaliaram como ótimo ou bom.
Também foram avaliados temas como respeito ao Legislativo, cumprimento da Constituição e das leis, defesa da democracia, defesa dos direitos individuais, combate à corrupção e profissionalismo dos ministros.
No combate à corrupção, 66% classificaram a atuação como ruim ou péssima, enquanto 17% fizeram avaliação positiva. Em relação ao profissionalismo e à competência dos ministros, 58% deram avaliação negativa e 23%, positiva.
Comparação com outras instituições
A pesquisa ainda mediu a confiança em outras instituições. As polícias Civil, Federal e Militar registraram, respectivamente, 60%, 58% e 56% de confiança.
A Igreja Católica aparece com 50%, enquanto governo federal e Banco Central registram 48% e 47%.
O Congresso Nacional teve 8% de confiança e 81% de desconfiança entre os entrevistados.
Contexto do levantamento
A pesquisa foi realizada após a sessão do STF de 15 de setembro, quando os ministros discutiram a possibilidade de abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A análise foi interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
