Tallis Gomes G4 apresenta notícia-crime contra Renan Santos

O empresário Tallis Gomes, fundador do G4, apresentou nesta sexta-feira (11) uma notícia-crime contra o candidato à Presidência da República Renan Santos, do Missão, à Justiça Eleitoral do Ceará. A representação pede a apuração de possíveis crimes contra a honra e ameaça após declarações feitas pelo candidato em Fortaleza e o compartilhamento de uma imagem em que Renan aparece segurando uma arma de fogo.

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A peça foi protocolada na 83ª Zona Eleitoral de Fortaleza pelos advogados Odel Mikael Jean Antun, Alvaro Augusto M.V. Orione Souza e Barbara Nicole Lima Orihuela. O documento cita possíveis crimes de calúnia, difamação e injúria eleitoral, previstos nos artigos 324 a 326 do Código Eleitoral, além de ameaça, prevista no artigo 147 do Código Penal.

O primeiro episódio apontado pelos advogados ocorreu em 5 de setembro, durante uma passagem de Renan por Fortaleza. Em transmissão publicada no YouTube, o candidato atacou Tallis ao comentar o posicionamento do empresário em relação à eleição presidencial e à candidatura do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Na fala, Renan chamou Tallis de “palhaço” e “coach” e afirmou que o empresário estaria atuando para convencer eleitores a apoiar um candidato que, segundo ele, teria recebido dinheiro de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Renan também associou Tallis à Rockbridge Network, organização norte-americana ligada ao vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance. O candidato afirmou que integrantes da rede teriam entrado “naturalmente e ilegalmente” na campanha de Flávio e acusou o grupo de defender interesses relacionados às terras raras brasileiras.

A notícia-crime sustenta que as declarações ultrapassaram os limites da crítica política e atingiram a honra e a imagem do empresário. Segundo os advogados, Tallis teria sido apresentado publicamente, sem provas, como alguém que atuaria em favor de interesses estrangeiros e para influenciar eleitores.

Imagem com arma

O segundo episódio ocorreu na madrugada desta sexta-feira (11). Segundo a representação, Renan compartilhou no X uma publicação originalmente feita pelo perfil @Kosmonautics com uma imagem do próprio candidato segurando uma arma aparentemente apontada para Tallis.

A postagem trazia a frase: “Tallis Gomes foi mexer com a pessoa errada… Renan fucking Santos!”.

Para os advogados do empresário, o compartilhamento, associado ao conteúdo da mensagem, pode caracterizar ameaça. A defesa afirma que a publicação teria provocado temor em Tallis e pede que o episódio seja incluído na apuração.

A notícia-crime também registra que Tallis mora e trabalha em São Paulo e sustenta que Renan teria condições de descobrir informações sobre sua rotina e endereço. Os advogados pedem que a publicação seja analisada pelas autoridades para verificar eventual responsabilidade criminal.

Campanha de Flávio

O confronto entre os dois ocorre em meio à disputa pelo eleitorado de direita e ao embate de Renan Santos com a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Nos últimos dias, o candidato do Missão passou a acusar a campanha de Flávio de ter recebido apoio financeiro da Rockbridge Network, rede conservadora norte-americana fundada por Chris Buskirk e J.D. Vance. Renan afirma que Tallis seria um dos elos entre a organização e o Brasil.

Tallis nega ter atuado para levantar recursos para a campanha de Flávio. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira, ele rejeitou a acusação de que tenha intermediado financiamento para o candidato.

A acusação sobre eventual financiamento estrangeiro também ganhou repercussão no Congresso. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao STF a abertura de investigação para apurar a existência de possível financiamento estrangeiro relacionado à campanha de Flávio. O pedido inclui a análise das contas eleitorais e de eventuais movimentações financeiras.

Renan voltou a sustentar as acusações nesta sexta-feira e afirmou estar “à disposição da imprensa” para apresentar documentos e contatos que, segundo ele, poderiam esclarecer a relação entre integrantes da rede norte-americana e a campanha de Flávio.

A legislação eleitoral brasileira proíbe o recebimento, direta ou indiretamente, de recursos de origem estrangeira por partidos e candidatos. Até o momento, porém, as acusações sobre eventual financiamento ilegal não equivalem a uma conclusão de investigação ou decisão judicial.

Pedido à Justiça

Na notícia-crime, a defesa de Tallis pede que o caso seja encaminhado ao Ministério Público Eleitoral para apuração dos fatos e eventual responsabilização de Renan Santos pelos crimes apontados.

Os advogados também pedem a persecução penal pelo crime de ameaça.



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