Sócia de Lulinha passagens bancar casa de R$ 100 mil

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) apontam que a lobista Roberta Luchsinger, tratada pelos investigadores como sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ameaçou interromper o pagamento de passagens aéreas do filho do presidente Lula (PT) diante dos gastos de aproximadamente R$ 100 mil mensais com uma casa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A conversa ocorreu em agosto de 2025 e foi mantida entre Roberta e o empresário Cléber Ribas. No diálogo, a lobista relatou ao empresário uma cobrança que teria feito a Lulinha diante do aumento das despesas com o imóvel.

“Ó Fábio, agora acabou porque a casa por mês a gente gasta em torno de R$ 100 mil, então assim, não vai mas dar pra ter essas passagens”, afirmou Roberta, segundo a transcrição incorporada ao inquérito.

Na sequência, conforme o relato registrado na conversa, Lulinha teria dito que passaria a cobrar diretamente dos empresários o pagamento das passagens.

A PF considera a mensagem uma evidência relevante dentro da investigação sobre a relação financeira entre Roberta, Lulinha e empresários interessados em negócios com o governo federal. Os investigadores apontam que os diálogos mostram a existência de pagamentos e benefícios destinados ao filho de Lula ao mesmo tempo em que Roberta atuava para aproximar empresários de autoridades e órgãos públicos.

A corporação ainda busca esclarecer exatamente qual imóvel foi citado por Roberta. Informações obtidas em uma ação trabalhista movida por uma ex-funcionária indicam que a lobista mantinha uma residência em Brasília frequentada por Lulinha e utilizada para encontros sociais com políticos.

PF identifica rotina de pagamentos

A conversa sobre as passagens não aparece de forma isolada no material reunido pela PF.

A quebra de sigilo bancário identificou ao menos R$ 2,5 milhões pagos por Ribas a Roberta entre março de 2024 e dezembro de 2025. Nas comunicações analisadas, a lobista teria mencionado em diferentes ocasiões que valores recebidos do empresário seriam utilizados para despesas relacionadas a Lulinha, incluindo passagens aéreas.

Os investigadores também procuram identificar a pessoa mencionada nas conversas pelo sobrenome “Freitas”. A suspeita da PF é de que Ribas pudesse atuar como intermediário de pagamentos relacionados a essa pessoa.

Ao analisar o diálogo sobre a casa e as passagens, a Polícia Federal registrou que seria necessário aprofundar a apuração para determinar com precisão o significado da conversa. Ao mesmo tempo, a corporação apontou que o conteúdo indica que o custeio de passagens para Lulinha não seria um episódio isolado.

O material integra o inquérito que apura a atuação de Roberta e Lulinha na intermediação de interesses privados dentro do governo federal.

Evidências apontam atuação junto à Dataprev

A investigação também reuniu mensagens sobre a atuação de Roberta em favor de empresas de Ribas na Dataprev e em outros órgãos públicos.

Segundo a PF, as comunicações registram pedidos de reuniões, contatos com autoridades e tentativas de intervenção em processos da estatal. A corporação encontrou contratos de consultoria firmados entre empresas ligadas a Ribas e Roberta, com previsão de pagamentos mensais à lobista e de repasses vinculados aos negócios obtidos na administração pública.

Empresas relacionadas a Ribas conseguiram dois contratos no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social que, somados, chegam a aproximadamente R$ 30 milhões.

Para os investigadores, as mensagens, os contratos e os pagamentos compõem um conjunto de evidências sobre a atuação de Roberta e Lulinha em favor dos interesses empresariais de Ribas.

A PF investiga se o acesso ao governo era utilizado como contrapartida pelos valores pagos à lobista e pelos benefícios destinados a Lulinha.

Investigação também alcança Ministério da Saúde

A apuração sobre a atuação de Lulinha não se limita ao empresário Cléber Ribas.

A Polícia Federal abriu três inquéritos para investigar suspeitas de tráfico de influência envolvendo o filho de Lula. Um deles trata da atuação do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, na tentativa de fechar um negócio de cannabis medicinal com o Ministério da Saúde.

A negociação não foi concluída.

Outra investigação concentra-se nos negócios de Ribas com a Dataprev e outros órgãos federais. A terceira apura outras possíveis intervenções de Roberta e Lulinha dentro da administração pública.

As três frentes procuram esclarecer se a atuação atribuída a Lulinha e à lobista tinha como objetivo abrir portas no governo para empresários e se havia pagamentos ou outras vantagens como contrapartida.

Mensagens também citam governo do Maranhão

O material apreendido pela PF ainda registra uma possível atuação de Lulinha em favor de interesses relacionados ao governo do Maranhão.

Em uma das conversas, Roberta teria afirmado que Lulinha ajudou a marcar uma reunião no Palácio do Planalto para o governador Carlos Brandão (PSB-MA). Segundo o relato da lobista, Lula também teria participação na liberação de recursos para uma obra no Estado.

Empresas ligadas a Ribas obtiveram contratos que somam cerca de R$ 5,8 milhões no Maranhão.

Para a PF, a coincidência entre os contatos políticos, a atuação em negócios públicos e os pagamentos identificados precisa ser analisada em conjunto para estabelecer a extensão da suposta estrutura de tráfico de influência.

Defesa nega vínculo com a casa

A defesa de Lulinha rejeitou a associação dele com o imóvel mencionado na conversa. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que a casa nunca pertenceu ao filho do presidente e que ele apenas teria se hospedado esporadicamente no local.

O advogado também negou que Lulinha tenha sido sócio de Roberta e afirmou que a própria investigação não teria encontrado vínculo formal entre os dois.

Segundo Carvalho, Lulinha vivia na Espanha no período em que a conversa ocorreu e mantinha um apartamento em São Paulo. O advogado também declarou que, após a quebra do sigilo bancário, a PF não teria encontrado em suas contas recursos provenientes das empresas investigadas.

A defesa de Roberta Luchsinger não comentou o conteúdo da conversa e afirmou que manterá o sigilo determinado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

A defesa de Cléber Ribas classificou a divulgação de trechos das comunicações como baseada em conteúdos “vagos e descontextualizados”. Os advogados afirmaram que os contratos firmados pelas empresas do empresário com o governo federal seguiram os procedimentos previstos em lei e negaram qualquer favorecimento.

A investigação segue sob sigilo no STF. A PF ainda busca esclarecer a origem dos pagamentos, a finalidade dos benefícios destinados a Lulinha e a eventual contrapartida oferecida por ele e por Roberta a empresários que buscavam acesso e negócios com órgãos públicos.



Fontes – Link Original

Classificado como 5 de 5

Compartilhe nas suas Redes Sociais

Facebook
Twitter
WhatsApp

Parceiros TV Florida