As medidas que Gaspar adotou para provar sua inocência

Os documentos apresentados pela defesa de Alfredo Gaspar ao Supremo Tribunal Federal (STF) mostram que o candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) adotou, desde março, uma série de medidas judiciais e administrativas para tentar comprovar sua inocência diante da acusação de estupro.

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Entre elas estão pedidos de produção antecipada de prova genética, representações contra os autores da denúncia, comunicação formal à Polícia Federal e, mais recentemente, uma petição protocolada diretamente no STF para disponibilizar espontaneamente seu DNA e pedir que o confronto genético seja realizado em até 72 horas.

A defesa sustenta que todas as providências que dependiam do parlamentar já foram tomadas. Segundo os advogados, a conclusão do caso depende agora da atuação do Supremo, da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal.

1. A defesa protocolou nova petição diretamente no STF

O documento mais recente foi apresentado nesta quarta-feira (6) ao gabinete do ministro Gilmar Mendes.

Na petição, os advogados colocam novamente o material genético de Gaspar à disposição da Justiça e pedem que o confronto seja realizado em até 72 horas.

O pedido afirma que o parlamentar oferece espontaneamente seu DNA para “comprovar cabalmente a falsidade da imputação” e solicita prioridade na realização da perícia.

O protocolo eletrônico do Supremo mostra que a petição foi apresentada às 15h57 desta quarta-feira pelas advogadas Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet.

2. O DNA já havia sido coletado meses antes

A nova petição informa que o material genético de Gaspar já havia sido coletado anteriormente por autorização judicial em uma ação cautelar de produção antecipada de prova.

Segundo o documento, a coleta ocorreu:

  • sob supervisão do Poder Judiciário;
  • com acompanhamento de perito oficial;
  • com participação da Polícia Federal;
  • com acompanhamento do Ministério Público.

A defesa afirma que o material permanece preservado sob custódia oficial para eventual confronto genético.

Esse procedimento também aparece na ação de produção antecipada de provas apresentada em abril perante a Justiça de Alagoas.

Os documentos mostram que Gaspar pediu ao Judiciário a produção antecipada da prova genética antes da conclusão das apurações.

Na ação, a defesa argumenta que a coleta judicial preservaria a cadeia de custódia do material genético e permitiria um confronto futuro com validade processual.

Também sustenta que um exame realizado apenas em laboratório particular poderia sofrer questionamentos posteriormente.

3. A defesa afirma que nunca houve recusa ao exame

Outro ponto destacado na ação é a contestação à narrativa de que Gaspar teria se recusado a realizar exame de DNA.

Segundo a petição, o parlamentar declarou publicamente sua disposição para o exame, encaminhou ofício à Polícia Federal e formalizou judicialmente o pedido para coleta do material.

A defesa afirma que essa disponibilidade foi pública, formal, protocolizada e judicializada.

4. Houve comunicação formal à Polícia Federal

Segundo os documentos encaminhados pela defesa, Gaspar também oficiou a Superintendência da Polícia Federal colocando-se à disposição para fornecer material genético sempre que solicitado.

O objetivo, segundo os advogados, era permitir a realização imediata do confronto caso houvesse identificação da pessoa mencionada na notícia-crime.

5. Também foram propostas ações contra os autores da acusação

Além da produção da prova genética, a defesa afirma ter adotado outras medidas jurídicas desde março.

Entre elas estão:

  • notícia-crime no STF;
  • representações na Procuradoria-Geral da República;
  • queixa-crime;
  • ação de indenização por danos morais;
  • representações nos Conselhos de Ética da Câmara e do Senado.

Essas medidas constam no memorial entregue pela assessoria do parlamentar.

6. O novo pedido concentra a pressão sobre o STF

Na petição apresentada nesta semana, a defesa afirma que a principal providência pendente é o confronto do material genético já existente.

Os advogados pedem que o Supremo determine, em até 72 horas, a comparação do DNA já armazenado ou, subsidiariamente, a realização de nova coleta.

Também requerem acesso integral ao procedimento que tramita sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.

O que diz a campanha

Durante café da manhã com jornalistas nesta quarta-feira, o coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que todas as medidas ao alcance do candidato já foram adotadas e que a continuidade do caso depende agora da atuação dos órgãos responsáveis.

“A nós não interessa a dúvida. A nós interessa a certeza.”

Marinho afirmou que a campanha defenderá a realização imediata do confronto genético.

“Faz o DNA e mata isso.”

O próprio Alfredo Gaspar reforçou o pedido.

“O meu DNA está aí. Não é possível aguardar dias e dias para tomar uma decisão. Resolva. Se houver problema, tomem a decisão. Se não houver, tornem isso público.”



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