O ex-líder do governo Lula no Senado Jaques Wagner (PT-BA) realizou 74 chamadas de voz com o empresário Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima e ex-sócio petista do Master, entre novembro de 2023 e 25 de maio de 2025. A informação consta em relatório da Polícia Federal (PF) tornado público ontem (30) por decisão do ministro do STF André Mendonça.
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Os registros foram extraídos do celular de Augusto Lima, apreendido durante a Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes envolvendo o Master. No período de 555 dias, as ligações somaram mais de cinco horas e trinta minutos de duração, o equivalente a uma chamada a cada 7,5 dias.
Segundo a PF, Wagner e Lima mantinham uma “clara e reiterada preferência” por chamadas de voz em aplicativos de mensagens, evitando conversas por texto.
“Os elementos informativos demonstram que suas tratativas com o núcleo do Banco Master foram conduzidas predominantemente por chamadas de voz, modalidade deliberadamente escolhida para evitar registros escritos. Os diálogos documentados revelam que o próprio Augusto Lima, ao repassar informações sensíveis ao parlamentar, frequentemente fazia por áudio ou ligação telefônica”, afirmou a PF.
Para os investigadores, a frequência das ligações reforça a relação de proximidade entre os dois. O relatório informa que o número de Jaques Wagner estava salvo no celular de Augusto Lima desde janeiro de 2022.
“A relação mantida entre Augusto Ferreira Lima e Jaques Wagner mostra-se marcada por manifestações de afeto e proximidade pessoal e familiar, além do envio de ‘lembranças’ de final de ano, inseridas em contexto de presentes a autoridades do Estado da Bahia”.
A investigação aponta que a relação entre o empresário e o senador ocorreu paralelamente à suposta concessão de vantagens indevidas, como uso de helicópteros, estadias na “Ilha da Paixão”, compra de ingressos para shows da cantora Taylor Swift e a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador.
A PF também apura a suposta atuação de Jaques Wagner em favor de interesses do Master no Congresso, especialmente nas articulações de uma proposta de emenda à Constituição que alteraria as regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e beneficiaria o banco.