Suposto esquema para Jaques tem semelhança com propina investigada no BRB

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A Polícia Federal (PF) identificou semelhanças entre o suposto esquema utilizado para beneficiar o senador Jaques Wagner (PT-BA) e a estrutura financeira investigada no caso envolvendo o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A conclusão consta dos documentos da Operação Compliance Zero, divulgados nesta quinta-feira (30) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.

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Segundo a investigação, a análise surgiu durante a apuração da compra de um apartamento que, de acordo com a PF, teria sido adquirido pelo Banco Master para uso do senador.

No relatório, a corporação afirma que “o fluxo financeiro utilizado para mascarar a origem dos recursos e o beneficiário da compra do imóvel ocorre com sistemática muito semelhante à adotada na propina paga ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa”.

De acordo com os investigadores, os recursos passariam por fundos de investimento antes de serem destinados a empresas constituídas para ocultar o verdadeiro beneficiário da operação.

A Polícia Federal afirma que essas empresas eram registradas como Sociedades Anônimas (S.A.) ou Sociedades de Propósito Específico (SPE), estruturas que, segundo a investigação, facilitariam a ocultação do destinatário final dos recursos.

Compra do apartamento

Segundo os documentos, o imóvel atribuído ao senador foi parcialmente pago com recursos do fundo de investimento Hockenheim, administrado pela REAG.

A investigação aponta que o dinheiro saiu do fundo Hockenheim e foi direcionado à empresa Epítome S.A., responsável pela aquisição formal do apartamento.

Para a PF, a Epítome S.A. era administrada por pessoas apontadas como integrantes do grupo de operadores ligados a Daniel Vorcaro.

Os investigadores afirmam ainda que, antes da compra do imóvel, a empresa — anteriormente denominada NK 322 — passou por uma reestruturação societária.

Segundo o relatório, o capital social foi elevado de R$ 100 para R$ 2 milhões, com todas as novas ações subscritas pelo fundo Hockenheim, representado pela REAG.

Comparação com o caso BRB

Ao comparar os dois casos, a Polícia Federal afirma que a estrutura investigada apresenta características semelhantes às identificadas na apuração envolvendo Paulo Henrique Costa.

Segundo a corporação, naquele caso foram utilizadas seis empresas de fachada controladas por fundos administrados por entidades ligadas ao grupo REAG para a aquisição de imóveis apontados como pagamento de propina.

A investigação acrescenta que pessoas apontadas como supostos “laranjas” no caso do ex-presidente do BRB também aparecem vinculadas às empresas relacionadas ao representante da Epítome S.A.

Ao final da análise, a Polícia Federal conclui que os recursos empregados na compra do apartamento teriam origem no grupo REAG e que a Epítome S.A., assim como seu representante, teria sido utilizada “como veículo de interposição para dissimular a real origem dos recursos e o efetivo beneficiário da operação, o Senador Jaques Wagner”.



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