A Itália anunciou nesta sexta-feira (31) a suspensão temporária da livre circulação de pessoas com a Espanha após a crise migratória registrada em Ceuta, território espanhol no norte da África. A medida determina o retorno de controles em fronteiras aéreas e marítimas entre os dois países.
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A decisão interrompe, temporariamente, as regras do Acordo de Schengen, tratado que permite a circulação de pessoas entre países europeus participantes sem a necessidade de controles de fronteira internos. Segundo o governo italiano, a suspensão está prevista em casos de “grave ameaça à ordem pública ou à segurança interna”.
Como Itália e Espanha não possuem fronteira terrestre, a medida afeta principalmente passageiros que viajam entre os dois países por avião ou embarcação.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que a decisão é uma medida “extraordinária” adotada para proteger a segurança nacional e evitar possíveis impactos da crise migratória sobre o território italiano.
“Defender as fronteiras significa defender a segurança dos cidadãos, combater a imigração irregular e desmantelar as redes criminosas que traficam seres humanos”, declarou Meloni.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, também defendeu a suspensão e afirmou que a crise em Ceuta mostra a necessidade de uma atuação conjunta dos países europeus no controle das fronteiras.
Crise migratória em Ceuta
A medida italiana ocorre após uma onda migratória que levou cerca de 60 mil pessoas, principalmente jovens marroquinos, a atravessar a fronteira em direção a Ceuta nas últimas 24 horas. Durante as tentativas de entrada pelo mar, pelo menos 34 imigrantes morreram afogados.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, classificou o episódio como uma “violação e ataque à integridade territorial” do país e afirmou que redes de tráfico humano teriam incentivado a entrada irregular de migrantes.
O governo espanhol reforçou a segurança na região e informou que aproximadamente 48 mil pessoas já haviam retornado ao Marrocos após a travessia.
Reação entre países europeus
A decisão de Roma provocou reação do governo espanhol. Madri convocou o embaixador italiano no país para prestar esclarecimentos e criticou a suspensão, defendendo que a resposta à crise migratória deve ocorrer por meio de cooperação entre os países da União Europeia.