O jornalista Paulo Figueiredo afirmou nesta terça-feira (28), durante o Paulo Figueiredo Show, que a missão de integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos barrada pelo governo do presidente Lula (PT) era apenas uma etapa de um trabalho mais amplo da administração do presidente norte-americano Donald Trump (Republicano) para analisar o sistema eleitoral brasileiro.
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Segundo ele, autoridades americanas estariam há meses reunindo informações técnicas, consultando especialistas e avaliando relatórios sobre as eleições no Brasil.
“Esta visita ao Brasil não é a primeira etapa deste processo de observação eleitoral. Pelas informações que eu obtive, os Estados Unidos estão há muitos meses tentando entender profundamente e tecnicamente o sistema eleitoral brasileiro”, declarou.
Segundo Figueiredo, o objetivo da viagem seria promover reuniões com autoridades brasileiras para esclarecer dúvidas levantadas durante essa análise. O jornalista afirmou ainda que parte desses encontros já estava previamente acertada e classificou a iniciativa como uma tentativa de diálogo institucional.
“Eles estavam vindo para se encontrar com as autoridades, inclusive do Poder Legislativo, para fazer perguntas. A ideia era dar ao Brasil a oportunidade de explicar eventuais questionamentos que os americanos tivessem”, disse.
Na avaliação do jornalista, a negativa dos vistos acabou tornando pública a existência desse acompanhamento por parte do governo americano. Ele afirmou que o episódio teve ampla repercussão internacional, sendo noticiado por veículos como The Washington Post, The New York Times, The New York Post, Reuters, Financial Times e The Wall Street Journal.
Figueiredo também sustentou que a análise conduzida pelos Estados Unidos inclui a avaliação de relatórios produzidos sobre as eleições brasileiras, inclusive documentos que, segundo ele, foram alvo de censura pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na visão do jornalista, o trabalho busca compreender tecnicamente o funcionamento do sistema eletrônico de votação e identificar eventuais pontos de vulnerabilidade.
Durante a transmissão, ele voltou a criticar a Justiça Eleitoral, afirmando que questionamentos apresentados após as eleições de 2022 permanecem sem resposta. Também questionou as regras adotadas pelo TSE para o credenciamento de observadores internacionais, alegando que apenas missões previamente convidadas pela própria Corte podem acompanhar oficialmente o processo eleitoral.
Contexto
As declarações foram feitas após o governo brasileiro negar vistos diplomáticos a Riley M. Barnes e Samuel Samson, integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam visitar Brasília.
Segundo reportagem do The Washington Post, a missão previa encontros com autoridades brasileiras e interlocutores ligados ao debate sobre o sistema eleitoral. O Departamento de Estado confirmou que a viagem estava em planejamento, mas não detalhou oficialmente seus objetivos.
Em nota, o TSE informou que foi procurado pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar de uma possível visita institucional, mas afirmou que a reunião não ocorreu em razão do recesso do Judiciário. A Corte acrescentou que promoverá um novo encontro com representantes diplomáticos em agosto, incluindo a representação americana.