Durante o programa ALive, apresentado pelo jornalista Claudio Dantas no YouTube nesta segunda-feira (27), o vereador brasileiro nos Estados Unidos Maurício Galante revelou que conversou, horas antes da transmissão, com uma autoridade da República em Washington sobre o cenário político brasileiro e afirmou que integrantes do governo americano acompanham com atenção o processo eleitoral no país.
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Segundo ele, há preocupação com a transparência das eleições e existe a possibilidade de sanções diplomáticas e econômicas caso os Estados Unidos entendam que o pleito não atenda aos requisitos considerados democráticos.
Galante afirmou que participou de uma videoconferência com uma autoridade americana para discutir a situação brasileira e disse ter apresentado informações sobre o cenário político, econômico e de segurança nacional.
“Pouco antes de entrar aqui no programa fiquei uma hora no telefone com uma autoridade da República lá em Washington conversando exatamente sobre esse assunto das eleições brasileiras.”
Segundo o vereador, durante a conversa foram abordadas questões relacionadas às Forças Armadas, ao combate ao narcotráfico, à influência chinesa na América do Sul e ao processo eleitoral brasileiro.
Na avaliação de Galante, Washington considera que o Brasil ocupa posição estratégica no continente e acompanha com atenção os desdobramentos políticos no país.
“Essa eleição vai ser um divisor de águas dos chineses no hemisfério ocidental.”
O vereador afirmou ainda que, caso permaneçam dúvidas sobre a transparência do processo eleitoral brasileiro, os Estados Unidos poderão adotar medidas semelhantes às utilizadas em outros países.
“Existe a possibilidade real de os Estados Unidos não aceitarem as eleições brasileiras. E aí você pode ter consequências tarifárias, consequências de investimento e conflitos diplomáticos.”
Venezuela
Galante citou como precedente a postura adotada pelos EUA em relação às eleições presidenciais da Venezuela em 2024.
“Por que os Estados Unidos iriam aceitar um processo maculado se não aceitaram o da Venezuela em 2024?”
Segundo ele, a divulgação recente de documentos relacionados à empresa Smartmatic teria aumentado o interesse americano pelo funcionamento dos sistemas eletrônicos de votação utilizados em diferentes países. Galante ressaltou que as urnas eletrônicas brasileiras não são fabricadas pela Smartmatic, mas afirmou que os documentos ampliaram a preocupação de Washington com mecanismos de auditoria e transparência eleitoral.
Posicionamento geopolítico
Durante o debate, Claudio Dantas reforçou que a discussão não tratava de acusações de fraude, mas de uma análise sobre o posicionamento geopolítico americano diante do processo eleitoral brasileiro.
“Aqui é uma análise geopolítica. O que ela pode fazer em relação a isso, dependendo da postura brasileira. Se o governo brasileiro e o TSE continuarem resistindo, por exemplo, à participação de missões eleitorais, isso só vai alimentar uma desconfiança que pode avançar para algum tipo de medida concreta do ponto de vista da relação bilateral e do próprio reconhecimento do resultado eleitoral.”
O jornalista também afirmou ter recebido informações de que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, estaria tentando reverter os efeitos da decisão do Itamaraty de negar vistos a dois diplomatas americanos que participariam de reuniões previamente agendadas com a Corte.
“O TSE já está entrando em contato com a embaixada americana para tentar desfazer esse mal-entendido e manter uma agenda desses dois diplomatas com o tribunal.”
Peça central
Na sequência, o analista internacional Marcos Degaut afirmou que o Brasil passou a ser visto pelos Estados Unidos como peça central na disputa geopolítica envolvendo a influência chinesa na América do Sul.
“O Brasil hoje é considerado como a ponta de lança dos interesses extrarregionais de China e de Rússia aqui na América Latina.”
Segundo Degaut, Washington acompanha o processo eleitoral brasileiro sob forte escrutínio.
“As eleições brasileiras estão sendo observadas sobre um escrutínio muito grande, mas principalmente sobre a lente da falta de integridade, da falta de informações e da falta de credibilidade.”
O analista criticou ainda a decisão do Itamaraty de negar vistos a diplomatas americanos.
“Ao invés de ajudar a jogar um pouco de luz, de transparência e de credibilidade no processo, adota a estratégia que países autoritários fazem: proíbem a entrada de observadores.”
Eleitorado
Também durante o programa, o analista internacional Eli Vieira afirmou que o debate sobre transparência eleitoral deve ser conduzido de forma técnica e responsável, defendendo maior abertura para o escrutínio público do sistema.
“Pedir mais transparência porque é uma caixa preta. A população não sabe como conta. Por mais que o sistema seja íntegro, isso precisa ser entendido pelo cidadão comum.”
Vieira também avaliou que o tema não deve ser tratado de forma a desestimular a participação do eleitorado.
“Muito cuidado com como é colocado esse problema porque pode afastar eleitores.”
Contexto
O debate ocorreu após o governo brasileiro negar vistos diplomáticos aos americanos Riley Barnes e Samuel Samson, integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Os dois participariam de reuniões com representantes do Tribunal Superior Eleitoral, líderes religiosos e membros da sociedade civil durante visita oficial ao Brasil.
A negativa ocorreu em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington. Segundo integrantes do governo brasileiro, haveria receio de que a visita pudesse ser utilizada para questionar o sistema eleitoral nacional. Já autoridades americanas negaram essa interpretação e afirmaram que a missão tinha caráter institucional.
ASSISTA AO TRECHO DO PROGRAMA: