Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado

Lula e Jaques Wagner

O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou, nesta quarta-feira (24), o cargo de líder do governo no Senado após ser citado em investigações da Polícia Federal que apuram supostos vínculos com o Banco Master. A decisão foi selada após uma reunião de cerca de duas horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Segundo interlocutores do Planalto, Wagner vinha sofrendo pressão política desde que passou a ser alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro envolvendo agentes públicos e privados. Ele nega qualquer irregularidade.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com aliados, avaliava a substituição do senador, mas preferiu que a saída ocorresse por decisão própria, numa tentativa de reduzir desgastes políticos ao governo.

Em nota e declarações públicas, Wagner afirmou que o desligamento ocorreu em comum acordo com Lula e que sua prioridade, neste momento, será “provar sua inocência” e se dedicar às articulações políticas da base governista e às suas próprias campanhas eleitorais.

A investigação aponta suspeitas de pagamentos ligados ao núcleo associado ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo os investigadores, valores teriam sido direcionados a pessoas próximas ao senador, o que levantou suspeitas sobre possível influência indevida. Wagner nega as acusações.

Na última segunda-feira (22), a defesa do senador apresentou recurso ao Supremo Tribunal Federal contra decisão do ministro André Mendonça, que havia autorizado buscas e apreensões em endereços ligados ao parlamentar. Os advogados afirmam que há “erros graves” na medida e tentam invalidar as provas obtidas na operação.

Aliados do governo avaliam que a saída de Wagner também busca conter danos políticos em meio ao avanço das investigações, que atingem nomes próximos ao núcleo do PT e geram preocupação no Palácio do Planalto.

Wagner ocupava a liderança do governo no Senado desde o início do atual mandato de Lula, tendo sido nomeado ainda na transição, em 2022. Ex-governador da Bahia, ele é considerado um dos principais aliados do presidente e manteve proximidade política e pessoal com Lula ao longo de décadas.

A relação entre os dois é marcada por confiança política de longa data, e o senador foi um dos apoiadores do presidente durante o período em que Lula esteve preso, em 2018.

No Senado, a expectativa agora é de rearranjo na articulação governista após a saída de um dos principais nomes da interlocução entre o Planalto e a Casa Legislativa.



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