A Polícia Federal (PF) identificou um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas que teria beneficiado o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique Vorcaro.
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Segundo relatório da Operação Compliance Zero, Henrique repassava mensalmente R$ 400 mil ao policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado pelos investigadores como responsável por articular o acesso indevido a dados internos da corporação.
De acordo com a PF, Roseno atuava como elo entre a família Vorcaro e agentes com acesso a sistemas restritos da instituição. O grupo teria obtido informações de investigações em andamento, consultas em bancos de dados policiais e documentos sigilosos.
Mensagens interceptadas pelos investigadores mostram Roseno cobrando pagamentos atrasados. Em uma delas, enviada em janeiro, o policial aposentado escreveu: “Estou segurando uma manda de búfalo. Não me deixe à deriva, por favor”.
Henrique Vorcaro respondeu que enviaria “imediatamente 400”, valor que a PF associa ao repasse mensal destinado à manutenção da estrutura de obtenção de informações.
Em outra conversa, Roseno pressionou pelo pagamento de uma quantia maior e afirmou que recebia apenas parte do valor combinado. “Nos ajude para podermos lhe ajudar, mestre”, escreveu ao tratar dos repasses.
Segundo a investigação, além dos pagamentos mensais, integrantes do grupo recebiam benefícios extras, incluindo presentes e gratificações de fim de ano. Em uma das mensagens analisadas, Roseno pede dados para uma transferência destinada a um agente da ativa: “Mandar um presente pra filhota que passou no vestibular. Qual o Pix?”.
A PF afirma que o esquema envolvia consultas irregulares ao sistema e-Pol, plataforma que concentra informações sobre inquéritos e procedimentos investigativos. Um dos episódios relatados pelos investigadores aponta que dados sobre medidas judiciais envolvendo Daniel Vorcaro foram acessados antecipadamente e utilizados para preparar estratégias de reação.
O relatório também cita a participação do agente Anderson Wander da Silva, da delegada Valéria Vieira Pereira da Silva e dos policiais federais aposentados Francisco Pereira da Silva e Sebastião Monteiro Júnior. Os investigadores sustentam que o grupo atuava de forma coordenada para obter e repassar informações de interesse da família Vorcaro.
Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Anderson Wander, Francisco Pereira e Sebastião Monteiro foram presos preventivamente. A delegada Valéria Vieira foi afastada de suas funções.
As investigações ainda apontam que os pagamentos eram ocultados por meio de empresas e intermediários, com orientações para fracionamento de depósitos e uso de terceiros nas transações financeiras.
A defesa de Daniel Vorcaro nega qualquer participação em esquema de vazamento de informações e afirma que contestará as acusações no curso do processo.