O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou hoje (21) que um dos presos na operação contra o PCC foi encontrado com uma caixa de dinheiro que teria como destinatária a influenciadora Deolane Bezerra. A declaração ocorreu durante agenda em Bauru, no interior paulista, enquanto o governo comentava o avanço das investigações sobre lavagem de dinheiro atribuída à facção criminosa.
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“Foi preso também um operador do esquema, inclusive com uma caixa de dinheiro com remetente [destinário], para quem iria, que era para a própria influenciadora”, declarou o governador ao comentar a Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil.
Segundo Tarcísio, as forças de segurança atuam para promover uma “asfixia financeira” do PCC. O governador afirmou que a facção utiliza “negócios aparentemente lícitos” para movimentar recursos do tráfico de drogas.
A investigação aponta que o operador financeiro citado pelo governador é Everton de Souza, conhecido como “Player” ou “Temer”. De acordo com a Polícia Civil, ele atuava na administração de bens e na movimentação financeira ligada à cúpula da facção, incluindo Marcola e seu irmão, Alejandro Camacho.
Os investigadores afirmam que a ligação entre Everton e Deolane se tornou um dos principais eixos da apuração. Segundo o relatório policial, o operador intermediava depósitos destinados à influenciadora por meio da transportadora Lopes Lemos, apontada como empresa de fachada utilizada para ocultar recursos da organização criminosa.
As autoridades identificaram 34 transações consideradas suspeitas, com uso de intermediários repetidos para fragmentar os repasses financeiros. A polícia sustenta que a dinâmica tinha o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro.
A Operação Vérnix cumpriu seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Entre os alvos estão Marcola, Alejandro Camacho, dois sobrinhos do líder da facção e o próprio Everton de Souza.
Investigadores afirmam que Deolane recebeu depósitos suspeitos entre 2018 e 2021. O inquérito também aponta que a influenciadora aparece como representante legal de Everton em registros policiais e como testemunha em ocorrências envolvendo o operador financeiro.
Segundo a polícia, Everton declarou em interrogatório que alugava um apartamento pertencente à advogada no bairro do Tatuapé, em São Paulo, por R$ 5 mil mensais. Depoimentos e registros em redes sociais também indicariam proximidade entre os dois.
O Ministério Público sustenta que a estrutura investigada utilizava empresas “espelho”, registradas em endereços residenciais e sem atividade operacional compatível. Os investigadores afirmam que o esquema misturava recursos ilícitos com movimentações legais para dificultar o rastreamento financeiro.
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio Oliveira Costa, afirmou que o modelo atribuído à influenciadora permitia mesclar dinheiro do crime organizado com recursos de origem formal. “O crime deposita recursos na figura pública, os valores se misturam a outros com origem lícita e depois retornam ao crime organizado”, declarou.
Já o promotor Lincoln Gakiya afirmou que a investigação encontrou indícios da proximidade entre Deolane e Alejandro Camacho, irmão de Marcola. Segundo ele, há registros fotográficos e diálogos que reforçariam o vínculo.
As apurações também indicam que Deolane teria aberto 35 empresas em um mesmo endereço residencial. Segundo os investigadores, os estabelecimentos seriam utilizados para movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a atividade declarada.
A defesa da influenciadora informou que irá se manifestar após ter acesso integral ao processo. O espaço segue aberto para posicionamentos.