Uma mulher condenada a 17 anos pelos atos de 08 de janeiro relatou, em carta divulgada para a equipe deste portal hoje (30), ter deixado o Brasil após cumprir sete meses de prisão e passado a viver na Argentina.
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No texto, ela afirma que foi forçada a escolher entre retornar ao presídio ou deixar o país. “Me deram duas opções: a prisão ou a fronteira. Eu escolhi viver”, escreveu.
Segundo o relato, a saída ocorreu em abril de 2024. A autora afirma que deixou os filhos no Brasil e seguiu para o exterior com a expectativa de reencontro posterior.
A carta destaca que o filho mais novo morreu meses depois, antes de viajar para visitá-la. “A passagem dele para a Argentina estava comprada. Ele morreu há três meses. Antes de pisar no avião”, escreveu.
Ela também descreve o momento da despedida. “Deixei meu filho no portão, me vendo entrar em um carro e sair sem saber que seria a última vez”, afirmou.
No documento, a autora afirma que está há dois anos fora do país e relata impactos pessoais do afastamento da família. “Vocês não exilaram só uma mulher. Vocês exilaram uma mãe”, escreveu.
O texto menciona ainda a impossibilidade de acompanhar o funeral do filho. “Exílio é enterrar um filho longe, por videochamada”, afirmou.
A autora relata que foi presa por sete meses e condenada por participação nos atos de janeiro de 2023. Ela afirma que deixou o Brasil para evitar novo cumprimento de pena.
Ao longo da carta, também descreve a experiência no exterior e o afastamento da rotina anterior. “Eu fujo de vocês há dois anos. Me tiraram meu endereço, meu trabalho, minha vida”, escreveu.
O Congresso aprovou agora há pouco (30) a diminuição de penas para os condenados pelo 08 de Janeiro.