Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, pediu que familiares procurassem Henrique Vorcaro logo após ser preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. A informação consta em depoimentos prestados pela mãe e pela irmã de Mourão no inquérito que apura sua morte, no qual o O Globo teve acesso.
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Segundo a investigação, Sicário orientou as duas a entrarem em contato com o pai de Daniel Vorcaro porque ele “saberia ajudá-las e orientá-las”.
Mourão foi preso em 4 de março, na mesma fase da operação em que Daniel Vorcaro voltou a ser detido. Horas depois de ser levado para a Superintendência da PF em Minas Gerais, Sicário se enforcou na cela onde estava custodiado. A morte cerebral foi confirmada dois dias depois.
De acordo com os depoimentos obtidos pela PF, as ligações feitas para a mãe e para a irmã foram os únicos contatos autorizados ao investigado após a prisão. Nas duas conversas, ele repetiu a recomendação para que ambas procurassem Henrique Vorcaro.
As informações reforçam o entendimento da PF e do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de que Henrique Vorcaro tinha papel central na coordenação dos grupos ligados ao esquema investigado.
Segundo a decisão que autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero, Henrique Vorcaro integrava o núcleo de comando responsável pelos grupos “A Turma” e “Os Meninos”.
“A Turma” seria responsável por ameaças, intimidações e obtenção ilegal de informações sigilosas. Já “Os Meninos” atuaria em operações cibernéticas, invasões telemáticas, monitoramento ilegal e derrubada de perfis críticos ao Banco Master.
A investigação aponta que Sicário mantinha contato frequente com Henrique Vorcaro e outros integrantes do núcleo central do esquema pouco antes de sua prisão.
Segundo a PF, o líder do grupo hacker ligado à organização, David Henrique Alves, recebia pagamentos mensais de aproximadamente R$ 35 mil feitos por Sicário para executar operações digitais clandestinas.
Os investigadores também afirmam que Sicário e Daniel Vorcaro se conheciam desde a juventude, em Belo Horizonte.
Conforme registros citados pela investigação, Mourão possuía antecedentes por crimes como furto qualificado, estelionato, associação criminosa, falsificação de documentos, clonagem de cartões e desmanche de veículos.
Henrique Vorcaro foi preso nesta quinta-feira (14) durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, que investiga suposta estrutura criminosa ligada ao Banco Master, com participação de policiais, hackers e operadores usados para intimidar adversários e acessar dados sigilosos.