PT aprova manifesto com referência ao socialismo

Ato de encerramento do Congresso do PT em Brasília — Foto: Divulgação/PT

O PT encerrou ontem (26) o seu 8º Congresso Nacional, em Brasília, com a aprovação de um manifesto que tenta equilibrar 2 objetivos difíceis de conciliar: manter a identidade histórica da sigla e ampliar a base para reeleger o Lula em 2026.

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O texto foi elaborado pela tendência majoritária Construindo um Novo Brasil, a CNB. Traz acenos ao centro político, agenda de confronto com Donald Trump (partido Republicano) e reformas que vão do Judiciário ao fim da jornada 6 X 1.

O documento propõe um “amplo processo de concertação social” capaz de reunir o setor produtivo e o empresariado comprometidos com a nação junto à classe trabalhadora e movimentos populares. A ideia é formar uma coalizão que vá além da defesa institucional da democracia.

O manifesto também evita a linguagem de ruptura. A versão preliminar listava 5 reformas estruturais (política, tributária, tecnológica, do Judiciário e administrativa). O texto aprovado acrescentou outras duas: a reforma agrária, voltada à soberania alimentar, e a reforma da comunicação, para garantir o cumprimento da proibição constitucional de monopólios no setor.

Nenhuma das 7 é vinculada diretamente ao projeto socialista. A palavra socialismo foi inserida na apresentação das reformas estruturais. O manifesto passa a defini-las como orientadas por “objetivos estratégicos claros — tendo como horizonte programático o socialismo democrático “.

A mudança aproxima o termo das propostas concretas. O texto também reforça críticas ao modelo econômico liberal. Afirma que “A promessa neoliberal […] mostrou-se incapaz de oferecer futuro para a maioria”  e que o sistema “socializa prejuízos e preserva privilégios” .

O documento atribui ao governo anterior responsabilidade por retrocessos. Cita “reconstrução de um país que havia sido destruído justamente pela extrema-direita”  e classifica o período como “verdadeiro projeto de destruição nacional” .

Também associa o avanço conservador a riscos institucionais. O texto menciona “avanço da extrema-direita e do fascismo”  e afirma que “autoritarismo, o racismo, a misoginia e o negacionismo ganham espaço” .

Na política econômica, o manifesto defende maior atuação estatal. Propõe “reconstrução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento”  e o enfrentamento à “hegemonia do rentismo e da financeirização” .

Entre as medidas, inclui regulamentação de plataformas digitais, com “ampla regulamentação dos oligopólios das plataformas digitais” , e mudanças institucionais, como “Reforma do Poder Judiciário, visando à democratização” .

Na agenda trabalhista, o texto retoma a pauta sindical. Defende a “luta pelo fim da jornada 6×1”  como parte do projeto econômico.

O manifesto também enfatiza indicadores do governo. Cita inflação dentro da meta, desemprego em queda e crescimento médio de 2,8% ao ano como evidências de desempenho econômico.

Na política externa, o documento trata o tarifaço de Trump como instrumento de “repressão econômica” e descreve a ação dos Estados Unidos como uma guerra comercial. Também critica a atuação americana no Oriente Médio e menciona conflitos envolvendo Israel, Gaza e Irã.

Em contraste, apresenta o Brasil como mediador internacional. Afirma que o país atuou em repatriações, defendeu cessar-fogo e busca protagonismo global.

O texto ainda propõe que o Brasil amplie o controle sobre recursos estratégicos, como as terras-raras, defendendo o processamento no território nacional.

Ao final, o manifesto reafirma a diretriz ideológica do partido e declara “reafirmar nosso compromisso com o socialismo”



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