O líder do Partido Liberal na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), criticou, em entrevista ao portal Claudio Dantas nesta sexta-feira (24), as declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, no recente embate público com o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo).
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“Ele está cada vez mais destemperado no que anda falando”, afirmou o parlamentar.
Segundo Sóstenes, as falas do ministro têm gerado constrangimentos institucionais e contribuído para o aumento da rejeição ao Supremo Tribunal Federal.
“Isso só gera mais rejeição à instituição, que hoje é uma das mais criticadas nas pesquisas de opinião”, disse.
Ao comentar especificamente a comparação feita por Gilmar Mendes envolvendo homossexualidade, o classificou a declaração como inadequada.
“O ministro está criando ainda mais constrangimentos para o STF, com posturas inclusive homofóbica, o que não é nada salutar”, disse.
Dados recentes reforçam esse cenário. Pela primeira vez desde o início da série histórica, a maioria dos brasileiros declara não confiar no Supremo. Levantamento realizado entre os dias 10 e 13 de abril pela Genial/Quaest e divulgado pelo O Estado de S. Paulo aponta que a taxa de desconfiança atingiu 53%, superando o índice de confiança, atualmente em 41%.
Embate público
A crise ganhou força após uma sequência de declarações públicas. O episódio teve início na última segunda-feira (20), quando Gilmar Mendes solicitou ao ministro Alexandre de Moraes a inclusão de Zema no inquérito das fake news.
O pedido se refere a um episódio da série “Os Intocáveis”, publicado nas redes sociais de Zema quando ainda era governador. A peça utiliza fantoches que representam os ministros Dias Toffoli e o próprio Gilmar Mendes em tom de sátira. A tentativa de inclusão, porém, provocou reação imediata da oposição.
Já na quarta-feira (22), Gilmar, em entrevista ao jornal O Globo, ironizou a forma de falar de Zema, afirmando que o político utilizaria um “dialeto próximo do português”.
Zema, então, rebateu: “O linguajar de brasileiros simples, como eu, é diferente do português esnobe dos intocáveis de Brasília”, declarou.
No auge do confronto, Gilmar afirmou, em entrevista ao Metrópoles na quinta-feira (23), ao comentar os limites das sátiras, que Zema não aceitaria ser representado como um “boneco homossexual”.
“Será que não é ofensivo?”, questionou o magistrado.
Diante da repercussão, o ministro recuou e pediu desculpas publicamente.
“Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa”, afirmou, acrescentando que já havia se “penitenciado” pela declaração.