A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, afirmou que o governo do presidente Lula (PT) enfrenta dificuldades para dialogar com a juventude. Segundo ela, há um desafio crescente para aproximar as ações do governo das expectativas da população mais jovem.
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“Acho que falta a gente se conectar com o sentimento das pessoas. Esse talvez seja o grande desafio do presidente Lula”, declarou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.
Borges avaliou que havia, dentro da esquerda, a percepção de que a entrega de políticas públicas seria suficiente para garantir apoio popular, mas disse que pesquisas recentes mostram um cenário diferente.
“Não dá só para ampliar o sistema de saúde ou inaugurar universidades. Isso é importante, mas não é o que está deixando a população satisfeita”, afirmou.
Na análise da dirigente, fatores do cotidiano têm influenciado a percepção dos eleitores, incluindo frustrações relacionadas ao consumo e às condições de vida. Ela também destacou que o comportamento político da juventude vem passando por mudanças, com impacto direto no cenário eleitoral.
“Essa eleição vai ser fortemente influenciada por fatores geracionais”, disse.
Ao comentar o ambiente digital, Borges apontou uma diferença na forma como lideranças políticas se comunicam.
“De um lado, o Lula que não tem nem celular; do outro, o Nikolas Ferreira, que utiliza intensamente as redes sociais”, afirmou, ao destacar o alcance de parlamentares no meio digital.
Para a presidente da UNE, o distanciamento de temas históricos também influencia o posicionamento político dos jovens.
“Os jovens hoje são muito desconectados da própria história do nosso país”, disse. Segundo ela, essa lacuna pode favorecer discursos mais conservadores.
Borges ainda avaliou que a combinação entre alta exposição às redes e dificuldades na filtragem de informações contribui para o cenário atual.
“A juventude é amplamente conectada, mas pouco preparada para lidar com as informações”, concluiu.