O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quinta-feira (16) que sofreu pressões para receber o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Apesar da gravidade da afirmação, ele não indicou quem teria atuado para intermediar o encontro.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
Em publicação nas redes sociais, Haddad compartilhou um trecho de entrevista à CNN no qual afirma ter resistido a tentativas de aproximação. “Eu me recusei várias vezes a receber essa figura porque todo mundo me alertava que aquilo ali era nitroglicerina”, disse, recorrendo a uma metáfora para indicar uma situação de alto risco — em alusão à substância química conhecida por seu caráter altamente explosivo.
Na legenda, reforçou a cobrança recebida: “Eu me recusei, várias vezes, a receber essa figura, mesmo sob pressão. O Brasil merece respostas!”.
Na mesma fala, Haddad classificou o episódio como parte de um escândalo de grandes proporções no sistema financeiro. “A documentação desse caso é muito robusta, é muito grave o que aconteceu. É a maior fraude bancária da história do Brasil”, afirmou.
Ele também defendeu que as investigações avancem além de operadores de menor escala.
Caso Master
O chamado “Caso Master” teve início com a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em 18 de novembro de 2025, após a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, revelar um esquema de fraudes bilionárias. As investigações apontam práticas como manipulação de balanços, emissão de títulos sem lastro e uma estrutura que operava com características semelhantes a uma pirâmide financeira, gerando prejuízos bilionários a investidores e ao sistema financeiro.
O banqueiro Daniel Vorcaro foi preso inicialmente ainda em novembro de 2025, ao tentar deixar o país, e voltou a ser detido em novas fases da operação. Atualmente, ele está preso desde 19 de março de 2026 na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.