Gustavo Geyer fez uma pergunta retórica: “Quer dizer que a maior página de apoio a Lula era financiada com dinheiro do tráfico?” É uma pergunta incômoda, daquelas que cutucam, ecoam, têm o peso de uma montanha sobre as costas. Dessas que precisam ser repetidas, reverberando indignação, desconfiança, choque. Gayer protocolou há pouco mais um requerimento para a abertura de uma CPI para investigar a Choquei. Não foi o primeiro pedido, mas pode ser o último.
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Investigar como o PCC financiou a Choquei e uma eventual relação do dinheiro do crime com o apoio do perfil à eleição de Lula em 2022 é uma necessidade, uma urgência. No gabinete do ódio petista, a página de Raphael Souza Oliveira ocupava o topo da cadeia alimentar, da pirâmide, do marketing de rede que impulsionou partidos, candidatos e produtos de grandes varejistas, que espalhou fake news e cancelou reputações e vidas.
A lista de absurdos da Choquei inclui a republicação de prints falsos de conversas íntimas entre Whindersson Nunes e uma jovem desconhecida; notícias falsas de “sons de batidas e avistamentos” envolvendo a tragédia com o submersível OceanGate; vídeos falsos de bombardeios na Ucrânia e fakes sobre ataques a Taiwan. A distribuição de uma versão mentirosa de Janja sobre a taxação de compras internacionais, e a divulgação massiva de declarações editadas de candidatos adversários.
A CPI da Choquei é um compromisso inadiável com a democracia real, com o eleitor em geral e com a memória de Jéssica Canedo. Raphael inventava mentiras e nunca se desculpava, mas hoje percebemos que sua postura canalha era só parte visível de seu caráter. A oculta incluía lavar dinheiro do crime organizado e usar a plataforma para defender criminosos, traficantes e homicidas. Nunca foi um perfil inofensivo de fofocas e é possível que tenha sido uma ferramenta criada desde sempre para manipular.
Uma investigação parlamentar poderá solicitar às big techs todo o arquivo de logs, mensagens, campanhas de tráfego e publicações da Choquei, desde sua criação em novembro de 2014, após Dilma Rousseff vencer Aécio Neves, numa campanha marcada pela morte de Eduardo Campos e por uma campanha de difamação contra Marina Silva, organizada pela Pepper, de Danielle Fonteles — alvo da Operação Acrônimo, em 2015, e, agora alvo da Operação Sem Desconto.
Uma investigação parlamentar poderá sondar o ecossistema político e econômico que ajudou a impulsionar Raphael, dando-lhe autoridade, influência sobre mais de 27 milhões de pessoas no Instagram e outras 9 milhões no X; sem se importar com seu modus operandi criminoso. A CPI poderá questionar os contratos da Choquei com a Mynd8, com grandes emissoras de TV e gravadoras, com artistas. Não havia cláusulas de compliance, de idoneidade, regras anti-crime?
Uma investigação parlamentar sobre a Choquei poderá evitar que novos criminosos sejam alçados à condição de formadores de opinião ou mesmo à condição de presidente da República.