O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, afirmou em depoimento à Polícia Federal que a proposta de investimento de R$ 970 milhões no Banco Master partiu do então diretor de investimentos da autarquia, Euchério Lerner Rodrigues.
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Segundo Deivis, a sugestão foi apresentada pela área técnica responsável pelos aportes. Questionado, ele confirmou que o diretor foi o responsável pela indicação do investimento.
O ex-presidente também negou ter recebido qualquer tipo de vantagem indevida relacionada às operações. Ao ser perguntado sobre eventual pagamento de propina, respondeu: “Não. Nenhum”.
Durante o depoimento, Deivis afirmou que não houve interferência política em sua indicação ao cargo. O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de cerca de 235 mil aposentados e pensionistas do estado do Rio de Janeiro.
Ele explicou que os investimentos seguem fluxo interno da autarquia. Segundo o ex-presidente, a diretoria de investimentos propõe as aplicações e a formalização ocorre com assinatura conjunta.
“Esse investimento é proposto pela Diretoria de Investimentos. Eu até li uma coisa assim, que o Comitê [de Investimentos] não tinha autorizado… o comitê não autoriza investimentos. A diretoria faz a proposição do investimento, e aí o investimento é feito, e o diretor de investimentos faz o encaminhamento, e eu assino juntamente com ele o investimento”, disse.
O ex-presidente também detalhou que as autorizações são realizadas em bloco, devido ao volume de operações da autarquia.
“É no bloco, né? Os blocos que a gente usa para pagamento de contratos, pagamento de investimentos e demais autorizações. Todas elas são assinadas em bloco, porque senão, só um exemplo, seriam 400, 500, 600 assinaturas num dia, porque é um absurdo, o volume é muito grande. A gente paga, além de todos os contratos, 260 mil aposentadorias e pensões”, afirmou.
Ao justificar a escolha do Banco Master, Deivis declarou que a equipe técnica não tinha capacidade de identificar eventuais problemas que, segundo ele, também não foram detectados inicialmente por órgãos de controle.
“O Tribunal de Contas, eu lembro que na época, falou assim, tinha que fazer análise reputacional dos sócios. Não era obrigação”, disse.
O depoimento foi prestado em fevereiro deste ano, após Deivis ter sido detido no interior do Rio de Janeiro, quando retornava ao estado depois de viagem ao exterior.