O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira a liquidação extrajudicial da Cooperativa de Crédito, Poupança e Serviços Financeiros – Creditag, após identificar “grave comprometimento da situação econômico-financeira” da empresa. A decisão foi tomada diante do risco elevado para credores da cooperativa, que não possuem garantia de recebimento dos valores devidos.
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Com a medida, a Creditag terá as atividades encerradas e passará por processo de liquidação conduzido por um liquidante nomeado. Segundo o Banco Central, a cooperativa é independente, de pequeno porte, e está enquadrada no segmento S5 da regulação prudencial. Em dezembro de 2025, a instituição representava cerca de 0,0000226% do total de ativos do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
A Creditag foi fundada em 2003, na cidade de Mineiros (GO), e atuava na prestação de serviços financeiros voltados a cooperados, com foco em aplicação de recursos e captação de investimentos. O Banco Central informou que seguirá com a apuração de responsabilidades dentro de suas competências legais. Os bens dos ex-administradores foram bloqueados, e o caso pode resultar em sanções administrativas ou no envio de informações a outros órgãos.
O que é a Creditag e a quem ela pertence
Formalmente, a Creditag (Cooperativa de Crédito, Poupança e Serviços Financeiros) não possui um “dono” corporativo tradicional. Por ser uma cooperativa de crédito independente de pequeno porte (enquadrada no segmento S5 da regulação prudencial), a instituição pertence ao seu quadro de associados (cooperados). Ela é sediada no município de Mineiros, em Goiás.
No entanto, o controle operacional da instituição e os interesses por trás dela são o foco de um grande desdobramento investigativo atual.
A Liquidação e a Conexão com o “Caso Master”
As apurações da Polícia Federal (dentro da Operação Compliance Zero) apontam que a Creditag operava como uma engrenagem no esquema do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo as investigações sobre as fraudes financeiras de Vorcaro, a cooperativa era utilizada para:
- Processamento Oculto: Liquidar transações e realizar o processamento de pagamentos (como PIX) para empresas e fintechs ligadas de forma oculta a Vorcaro, a exemplo da Entrepay.
- “Carrossel Financeiro”: Facilitar o fluxo de capitais do Banco Master para outras estruturas, manobra utilizada para inflar artificialmente o patrimônio do banco.
O decreto de liquidação da Creditag pelo BC acontece em paralelo ao aprofundamento das investigações do Caso Master que, também hoje, resultaram nas prisões de Paulo Henrique Costa (ex-presidente do Banco de Brasília – BRB) e do advogado Daniel Monteiro, homem de confiança e mentor jurídico de Vorcaro (que já se encontra preso desde o início de março).