O Irã ameaçou nesta quarta-feira (15) ampliar o bloqueio naval no Oriente Médio, incluindo o Mar Vermelho, caso os Estados Unidos mantenham as restrições no Estreito de Hormuz.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
A declaração foi feita pelo comandante das Forças Armadas iranianas, Ali Abdollahi, que classificou a ação americana como uma violação do cessar-fogo e afirmou que o bloqueio cria insegurança para navios comerciais e petroleiros iranianos. A fala foi divulgada pela agência de notícias Tasmin.
Segundo a agência Reuters, apesar das restrições em vigor, ao menos dois petroleiros, com bandeiras de Malta e Curaçao, conseguiram cruzar o estreito nesta quarta-feira, sem carga, com destino ao Iraque. O dado indica que o tráfego marítimo ainda não foi totalmente interrompido.
A escalada ocorre após o governo do presidente dos EUA, Donald Trump (Republicano) anunciar, no domingo (12), o bloqueio de embarcações ligadas ao Irã em Hormuz, após o fracasso de negociações diplomáticas em Islamabad.
De acordo com a CNN, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou que a medida permite interceptar, desviar e até apreender navios que descumprirem as restrições.
Em publicação nas redes sociais, autoridades militares americanas afirmaram que a operação já teria impacto significativo sobre a economia iraniana. Conforme relatado pelo The New York Times, estimativas indicam que a maior parte do comércio marítimo do país foi afetada em menos de dois dias de operação.
Pressão regional e risco de escalada
Apesar de não ter acesso territorial ao Mar Vermelho, o Irã pode recorrer a aliados para sustentar a ameaça. Segundo análises citadas pela AFP, os rebeldes Houthis, no Iêmen, surgem como peça-chave nesse cenário por controlarem áreas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb — rota por onde passa cerca de 12% do comércio marítimo global.
O grupo já demonstrou capacidade de atingir alvos a longa distância e interferir na navegação internacional, inclusive com ataques que impactaram rotas ligadas ao Canal de Suez.
Gargalo estratégico e impacto global
O Estreito de Hormuz é considerado um dos principais corredores energéticos do mundo. Antes da escalada do conflito, cerca de 20% do petróleo transportado globalmente passava pela região, fator que torna qualquer restrição um risco imediato para os mercados.
Dados de inteligência marítima, citados pela Reuters, apontam ainda que algumas embarcações têm adotado estratégias para evitar rastreamento, como o desligamento de transponders e a manipulação de dados de localização, dificultando a verificação independente do fluxo real na área.