Governo avalia recuar na “taxa das blusinhas” após desgaste político

O governo do presidente Lula (PT) estuda rever a tributação sobre compras internacionais de baixo valor, conhecida como “taxa das blusinhas”, diante do impacto negativo na popularidade da medida. A cobrança, em vigor desde 2024, incide principalmente sobre produtos adquiridos em plataformas estrangeiras e passou a ser alvo de críticas dentro e fora do Executivo.

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Levantamentos recentes indicam forte rejeição popular. Pesquisa da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg aponta que 62% dos brasileiros consideram a taxação um erro, enquanto apenas 30% avaliam a medida de forma positiva. A percepção de desgaste eleitoral tem sido um dos principais fatores para a reavaliação do tema no governo.

Atualmente, a regra estabelece uma alíquota de 20% para compras internacionais de até US$ 50. Para valores superiores, a tributação pode chegar a 60%, com desconto fixo de US$ 20. Apesar das críticas, a arrecadação cresceu significativamente: dados da Receita Federal mostram que o imposto rendeu cerca de R$ 5 bilhões em 2025, após já ter atingido R$ 2,88 bilhões no ano anterior — ambos recordes históricos.

Estudos indicam que a cobrança afetou de forma mais intensa consumidores de menor renda. Pesquisa da Plano CDE revela que o consumo de produtos importados entre as classes C, D e E caiu 35% entre junho de 2024 e abril de 2025. Entre as classes A e B, a redução foi de 11% no mesmo período.

Pressão do setor produtivo

Enquanto consumidores criticam o aumento de preços, entidades da indústria e do varejo defendem a manutenção da taxa. No início de abril, mais de 50 organizações divulgaram manifesto a favor da política, argumentando que a medida ajudou a estimular investimentos e geração de empregos no país.

Segundo a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), o primeiro ano de vigência da tributação coincidiu com crescimento de quase 6% nas vendas do setor e aumento de 3,9% no número de empregos no comércio.

Divisão interna no governo

Dentro do Planalto, não há consenso sobre a possível revogação. O presidente Lula já sinalizou incômodo com a medida e afirmou considerar desnecessária a cobrança, reconhecendo o impacto negativo para o governo. Ele também indicou que uma alternativa está em estudo, mas evitou antecipar detalhes.

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, avalia que a perda de arrecadação seria administrável dentro do orçamento federal. Já o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, também defende a revisão da política.

Por outro lado, o Ministério da Fazenda resiste à mudança. Técnicos da pasta argumentam que o imposto é importante para proteger a indústria nacional da concorrência internacional e preservar empregos.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, reforçou essa visão ao destacar que a taxação foi criada para corrigir distorções tributárias entre produtores brasileiros e vendedores estrangeiros, especialmente de países asiáticos.

A eventual revogação da taxa depende de aval do Congresso Nacional, já que a medida foi aprovada por parlamentares. Atualmente, ao menos dois projetos tramitam na Câmara dos Deputados propondo o fim da cobrança, sob o argumento de que ela encarece produtos sem benefícios proporcionais à economia.



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