A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou nesta segunda-feira (13) que não comete irregularidades em sua atuação na Corte, embora tenha reconhecido um ambiente de tensão em meio à repercussão do caso envolvendo o Banco Master.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
Durante palestra na Fundação FHC, em São Paulo, a magistrada ressaltou que sua conduta segue estritamente a legalidade e evitou comentar o comportamento de outros integrantes do tribunal.
“Eu não faço nada errado. Da minha parte, digo: podem dormir tranquilos. Não há uma linha minha que esteja fora da lei”, declarou.
Cármen Lúcia afirmou que o STF atravessa um período de maior exposição e questionamentos públicos, o que, segundo ela, contribui para o aumento da pressão interna. Para a ministra, o cenário atual reflete um momento mais amplo de desconfiança nas instituições.
A magistrada também defendeu que o Judiciário amplie a transparência de suas ações, inclusive fora de Brasília, como forma de reforçar a credibilidade junto à população.
Segundo ela, é importante que a sociedade tenha clareza sobre a atuação dos ministros e seus compromissos públicos.
Outro ponto destacado foi a sobrecarga de processos enfrentada pela Corte. De acordo com a ministra, o volume de demandas e a complexidade dos temas, muitos deles inéditos, especialmente diante do impacto das novas tecnologias, tornam o trabalho mais desafiador.
Cármen Lúcia ainda reconheceu que o tribunal vive um momento de “questionamento” e maior tensão interna. Ela relatou ser alvo frequente de críticas, algumas com teor machista, e afirmou que lida com esse cenário mantendo o foco no cumprimento da lei.
Nos bastidores, o STF enfrenta divergências entre ministros em meio aos desdobramentos do caso Master, que ampliou o escrutínio sobre a atuação da Corte. Apesar disso, a ministra evitou aprofundar comentários sobre os colegas e reforçou que responde apenas por seus próprios atos.
Ao final, ela também mencionou os desafios de comandar o tribunal, lembrando sua experiência à frente da presidência do STF. Segundo Cármen, a função exige equilíbrio diante de pressões constantes e decisões de grande impacto institucional.