ONG vê prisão de Vorcaro como alerta sobre infiltração criminosa no Estado

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A organização Transparência Internacional Brasil afirmou nesta quinta-feira (5) que a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso do Banco Master, representa um alerta sobre a infiltração de organizações criminosas em estruturas do Estado.

A detenção ocorreu durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras.

Em nota pública, a entidade afirmou que o caso revela como lideranças de grupos criminosos podem atuar dentro de instituições públicas.

“A prisão de Vorcaro e a exposição de seus métodos milicianos reforçam um alerta urgente ao Brasil: lideranças de organizações criminosas violentas infiltraram-se nas mais altas esferas do Estado, operando negócios obscuros até mesmo dentro do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.”

Segundo a organização, o crime organizado não atua apenas com violência territorial, mas também por meio de influência política e financeira.

“O crime organizado domina territórios pelo poder bélico, mas captura o Estado pelo poder financeiro e pela corrupção.”

A entidade também apontou mecanismos utilizados para aproximar interesses privados de agentes públicos.

“O aliciamento de autoridades ocorre por meio de contratos superfaturados e sem lastro, convites e favores luxuosos, financiamento ilícito de campanhas e outras formas, mais ou menos explícitas, de suborno e influência indevida.”

Estrutura investigada pela Polícia Federal

A terceira fase da Operação Compliance Zero apontou a existência de uma estrutura organizada em diferentes núcleos ligados ao grupo investigado.

Segundo a Polícia Federal, o grupo teria utilizado uma rede conhecida como “A Turma”, responsável por monitorar alvos, coletar informações e realizar ações de intimidação contra pessoas consideradas adversárias do empresário.

As investigações também mencionam acesso indevido a sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de sistemas internacionais.

Críticas ao enfraquecimento de mecanismos anticorrupção

A Transparência Internacional afirmou ainda que o avanço do crime organizado estaria relacionado ao enfraquecimento de mecanismos institucionais de combate à corrupção.

Segundo a entidade, mudanças em normas e estruturas de controle contribuíram para ampliar a atuação de redes criminosas no país.

“O Brasil precisa observar atentamente o que ocorreu em países como México, Guatemala e Equador, onde a corrupção sistêmica triunfou e o crime organizado se instalou como poder constituído.”

A organização também afirmou que há lideranças comprometidas com o combate à corrupção em diferentes setores do país e defendeu reação institucional para enfrentar o avanço dessas práticas.



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