O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, afirmou que recebeu uma proposta para votar a dosimetria no Senado sob a condição de que não fosse instalada a CPMI do Banco Master. Segundo ele, o partido rejeitou o acordo. A declaração foi feita neste domingo (1º), durante participação no programa Canal Livre, da BandNews.
“Eu tive uma proposta essa semana, mas eu não tenho como fazer, eu falei com o Rogério Marinho, eles querem votar a dosimetria desde que não façam a CPI do Banco Master no Senado”, disse.
Questionado sobre quem teria feito a proposta, Valdemar respondeu: O Alcolumbre é um deles”.
Ao ser perguntado se o senador Davi Alcolumbre não quer a CPI do Master, o dirigente afirmou: “Lógico que não. Lógico que não. Por quê? Porque o atinge. O atinge meio mundo”.
Segundo Valdemar, o acordo incluiria também a votação da anistia, mas ele afirmou que o partido não aceitou. “Aí eles fariam anistia, mas não tem condição, porque eles já fizeram vários acordos com a gente para votar a dosimetria e tudo mais, e eles não conseguem cumprir”.
Ele disse não confiar na efetividade de novos entendimentos. “Eu não tenho como fazer”, reforçou.
🚨VEJA: Valdemar diz que Alcolumbre ofereceu acordo para não instalar CPMI do Master, mas PL negou: “Não faremos acordo. Outros não foram cumpridos. A CPMI do Master atinge meio mundo e vai parar o Brasil”
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CPI do Master
Valdemar declarou apoio à instalação da CPMI do Banco Master e afirmou que a investigação pode atingir diversos setores.
“Eu vejo o seguinte, que a CPI do Banco Master, que tem que ser aberta, vai parar o Brasil. Você vai ver gente envolvida que você nunca imaginava. Sou a favor da CPI do Banco Master. Sou, todo o nosso pessoal assinou”, afirmou.
Ele observou que o presidente da Câmara, Hugo Motta, já indicou que a comissão precisa “entrar na fila” e defendeu que seja uma comissão mista. Segundo ele, há resistência para que a apuração ocorra apenas no Senado.
“Eles querem a CPI no Senado. Não querem fazer mista. E isso aí vai entrar meio mundo nisso aí. A gente nem imagina que vai entrar”, declarou.
Valdemar relatou ainda que recebeu informações de que pessoas teriam incentivado prefeitos a adquirir títulos ou ações do Banco Master. “Tem gente aqui de São Paulo que me falaram, essa semana, gente conhecida nossa aí, que pedia para os prefeitos comprar título, comprar ações do Banco Master”, disse.
Para ele, o caso pode ter impacto direto nas eleições. “Pode ser a grande bomba dessa eleição, pode ajudar a definir essa eleição no Senado. Nossa senhora, isso pode virar um mundo de ponta cabeça. A gente nem sabe o que está por vir”.
Doações e financiamento
Durante a entrevista, Valdemar foi questionado sobre eventual impacto das investigações envolvendo o Banco Master sobre o PL ou aliados, considerando que o cunhado de Daniel Vorcaro teria sido financiador de campanhas.
Ele negou preocupação. “Não”.
O dirigente afirmou que as doações citadas foram feitas dentro da legalidade e registradas oficialmente. “E quando eles falam que ele foi o maior doador, é porque ele deu 3 milhões na campanha do Bolsonaro ou deu diretamente na conta do Bolsonaro. Na conta do partido também entrava dinheiro”.
Valdemar citou outros exemplos de doações. “Nós tivemos até doações de 7 milhões de uma pessoa só. Então, isso é tudo público. Nós tivemos do Jerdal, ele deu 7 milhões na campanha do Bolsonaro, foi o maior doador do Brasil, de longe. Então, eu não vejo esse problema”.
Ao ser questionado se estava tranquilo com os possíveis desdobramentos da investigação, respondeu: “Não tenho dúvida”, ao afirmar que a CPI pode atingir diversos nomes.
Segundo ele, o partido mantém posição favorável à instalação da CPMI e rejeita qualquer acordo que envolva barrar a apuração.