O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (2) que a ofensiva militar contra o Irã avança “acima do cronograma” e que uma nova fase de ataques ainda será realizada.
Em entrevista ao New York Post, Trump disse que a Operação Epic Fury eliminou integrantes de alto escalão do regime iraniano e indicou que não descarta o envio de tropas terrestres.
“Não tenho receio nenhum em relação a tropas terrestres — como todo presidente diz, ‘Não haverá tropas terrestres’. Eu não digo isso”, afirmou. Segundo ele, a tendência é que “provavelmente não precisamos delas”, mas admitiu que poderiam ser utilizadas “se fossem necessárias”.
Ao Daily Mail, Trump declarou que a campanha pode ser mais rápida do que o previsto. “Vai ser bem rápido”, disse. “Estamos dentro do cronograma, muito adiantados em termos de liderança — 49 mortos — e isso, sabe, imaginávamos que levaria pelo menos quatro semanas, e fizemos em um dia.”
Em entrevista à CNN Internacional, o presidente reforçou que a ofensiva ainda não atingiu seu ápice. “Ainda nem começamos a atacá-los com força. A grande onda ainda não chegou. A grande onda de ataques ainda está por vir”, afirmou.
Trump também declarou que os Estados Unidos estão “dando uma surra” no Irã e que a operação deve durar menos de um mês. Segundo ele, o planejamento inicial previa quatro semanas, mas o cronograma foi antecipado.
Negociações e decisão de ataque
O presidente afirmou que a decisão de atacar ocorreu após concluir que o Irã utilizava negociações para avançar no programa nuclear. “Tivemos negociações muito sérias, eles estavam presentes, e depois recuaram”, disse.
Segundo Trump, os locais atingidos eram permanentes, mas os iranianos teriam transferido atividades para outra área. “Eles queriam fabricar uma arma nuclear, então nós as destruímos completamente, mas descobrimos que estavam em um local totalmente diferente — totalmente diferente”, declarou. Ele afirmou que era “apenas uma questão de tempo” até a conclusão do projeto nuclear.
“Eu disse: ‘Vamos lá’”, concluiu.
Retaliação e países árabes
Trump disse ter ficado surpreso com ataques iranianos contra países do Golfo. Segundo ele, os EUA haviam informado que cuidariam da situação. “Dissemos a eles: ‘Nós damos conta disso’. Mas agora eles querem lutar e estão lutando agressivamente”, afirmou.
Ataques iranianos atingiram Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Jordânia e Omã. Há registro de mortes nos Emirados Árabes, no Kuwait e no Bahrein.
Sobre eventual retaliação com ações terroristas, Trump afirmou: “Vamos eliminar isso. Seja como for. É como tudo o mais, vamos eliminar isso”.
Pesquisas e apoio interno
Questionado sobre pesquisas que indicam 27% de aprovação e 43% de desaprovação à guerra, Trump afirmou que não governa com base em sondagens.
“Acho que as pesquisas são muito boas, mas não me importo com elas. Tenho que fazer a coisa certa. Isso deveria ter sido feito há muito tempo”, disse.
Ele argumentou que um conflito regional é preferível às consequências de o Irã obter armas nucleares.
Sequência de operações
Trump também citou ações anteriores contra o regime iraniano, como a morte do general Qasem Soleimani, em 2020. “Eliminamos Soleimani da última vez. Ele era um general incrivelmente violento e cruel”, afirmou.
Ele mencionou ainda a Operação Martelo da Meia-Noite, realizada contra instalações nucleares iranianas em 2025, e disse que o país estava “a um mês de ter uma arma nuclear”.
Enquanto isso, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, declarou nas redes sociais: “Não negociaremos com os Estados Unidos”. Ele afirmou que “a ilusão de Trump arrastou toda a região para uma guerra desnecessária e agora ele está, com razão, preocupado com mais baixas americanas”.
A troca de ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã continua desde sábado (28), após bombardeios que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e de integrantes da cúpula militar do país.