O Banco Central registrou prejuízo de R$ 119,97 bilhões em 2025, sob a presidência do economista Gabriel Galípolo. O resultado foi impactado principalmente pela valorização do real frente ao dólar. O rombo foi coberto integralmente pela reserva de resultados da instituição, sem impacto imediato nas contas públicas.
As demonstrações financeiras foram aprovadas ontem (26) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e pelo presidente do Banco Central.
Em nota, a autoridade monetária afirmou: “É importante ressaltar que todas as operações que o BC realiza visam o alcance dos seus objetivos institucionais e não a obtenção de lucro. Dessa forma, a apuração de resultados positivos ou negativos decorrem das condições gerais da economia nacional e internacional e da necessidade de atuação do BC junto ao sistema financeiro para o cumprimento da sua missão”.
O resultado negativo contrasta com 2024, quando o Banco Central registrou lucro de R$ 270,94 bilhões, sob a gestão de Roberto Campos Neto. Na ocasião, R$ 242,79 bilhões foram destinados à reserva de resultados e R$ 28,16 bilhões transferidos ao Tesouro Nacional.
Segundo o BC, quando há lucro, parte do valor pode reforçar o caixa do Tesouro e auxiliar na gestão da dívida pública. Em caso de prejuízo, o resultado é absorvido inicialmente pelas reservas internas.
O balanço aponta que a queda de 11,14% do dólar em 2025 teve impacto direto sobre as contas. Em 2024, a moeda norte-americana havia subido 27,91%. Como parcela relevante dos ativos do Banco Central está denominada em moeda estrangeira, variações cambiais influenciam diretamente o resultado anual.
“Em razão da composição do seu balanço patrimonial, em que parte relevante dos seus ativos são constituídos em moedas estrangeiras, o resultado do BC é fortemente impactado pelas oscilações nas taxas de câmbio”, informou a instituição.
As operações com reservas internacionais e derivativos cambiais geraram perdas de R$ 150,26 bilhões. Houve compensação parcial de R$ 30,29 bilhões em ganhos com outras operações, sobretudo em moeda local.
O total de ativos do Banco Central alcançou R$ 4,97 trilhões. Desse montante, R$ 2,09 trilhões estão em moedas estrangeiras e R$ 2,88 trilhões em ativos domésticos.
Mesmo após absorver o prejuízo, a reserva de resultados permanece com saldo de R$ 122,82 bilhões. O valor funciona como colchão para eventuais perdas futuras.
Desde 2021, o resultado do Banco Central passou a ser apurado anualmente, com aprovação pelo CMN no mês de fevereiro.