A guerra de Trump contra as urnas

Donald Trump com Tulsi Gabbard em fevereiro de 2025.

O presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, está em seu segundo mandato, o máximo permitido pela Constituição do país. Mas ainda quer saber mais sobre o que aconteceu na eleição de 2020, quando o democrata Joe Biden foi declarado vitorioso.

Em entrevista ao New York Times este mês, ele disse que se arrepende de não ter usado a Guarda Nacional para confiscar as máquinas de votação, uma das fontes de suas suspeitas sobre a probidade do pleito.

No dia 15 de janeiro, o Departamento de Justiça começou a pressionar dezenas de estados para compartilharem informações sobre a votação de 2020. No dia 28, o FBI, que faz parte do departamento, fez uma busca e apreensão de registros originais de voto no condado de Fulton, no estado da Geórgia, um dos principais focos de suspeita para Trump na ocasião.

A busca teve como alvo os votos impressos, imagens dos votos escaneados e fitas de tabulação de máquinas de votação nos EUA. Essas máquinas geralmente são usadas para contar os votos e são diferentes das urnas eletrônicas brasileiras.

Nesta quarta (4), o condado entrou com uma ação judicial questionando a legalidade da busca feita pelo FBI. O comissário de Fulton, Marvin Arrington Jr., quer que os documentos confiscados sejam devolvidos. “Para ser franco, contudo, é tarde demais”, disse ele à Reuters. “Se nos devolverem os registros, ainda não saberemos se perderam ou deletaram [alguns], pois não havia inventário”.

Após a busca, Trump postou nas redes sociais acusações que já haviam circulado na época do pleito. Por exemplo, que satélites militares italianos teriam sido usados para hackear as máquinas de votação e mudar votos a favor de Biden. “Há relatos que a China coordenou toda a operação”, diz a postagem. “A CIA supervisionou, o FBI abafou, tudo para instalar Biden como uma marionete”.

Quando esteve no Fórum Econômico Mundial em Davos, no dia 21, Trump disse que processaria pessoas “pelo que fizeram na eleição de 2020”, que para ele foi “roubada”. Depois da busca na Geórgia, o presidente reiterou: “Isso é só o começo. Os processos estão vindo”.

As autoridades eleitorais da Geórgia fizeram uma auditoria dos resultados da eleição na época e os tribunais do estado rejeitaram várias ações judiciais que os questionavam.

Segundo o jornalista Jonathan Karl, correspondente da ABC News em Washington, a ideia sobre os satélites italianos foi levada à Casa Branca por uma mulher que usava o codinome “A Herdeira”, entre outros. Para Karl, trata-se de uma “teoria da conspiração”.

Diretora nacional de inteligência investiga o caso

Tulsi Gabbard, ex-deputada eleita pelo Havaí no Partido Democrata e veterana das forças armadas, tem liderado uma investigação relacionada à do FBI sobre a eleição de 2020 na qualidade de diretora nacional de inteligência do governo Trump.

Como colocou o jornal The Wall Street Journal, Gabbard “está caçando pela fraude eleitoral de 2020” há meses. O jornal, associado ao mundo financeiro, acredita que não há nada para ser descoberto e que Trump perdeu a eleição.

A chefe de espionagem tem estudado informações sobre as máquinas de votação, analisado dados dos estados mais indecisos que costumam ser cruciais para os resultados (conhecidos como swing states) e perscrutado a ideia de interferência estrangeira aventada por Trump.

O resultado esperado desses esforços é um relatório que Gabbard deve produzir preferencialmente antes das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro.

“O presidente Trump e toda a sua equipe estão comprometidos com assegurar que uma eleição nos Estados Unidos nunca mais possa ser roubada. A diretora Gabbard tem um papel de liderança nessa empreitada importante”, disse a porta-voz do presidente, Karoline Leavitt.

Gabbard estava na Geórgia durante a operação de busca e apreensão do FBI no condado de Fulton. A operação foi autorizada por um magistrado federal.

Em entrevista ao WSJ, Ken Block, um consultor que estudou alegações de fraude para a campanha de Trump em 2020, disse que nunca encontrou corroboração para qualquer uma das alegações que pudesse anular os resultados. “Não dá para desfazer. Imagino que há coisas mais importantes para investigar”, afirmou.

Resta agora à diretora produzir um relatório que sirva para dissipar o ceticismo de grande parte da imprensa e até de ex-colaboradores de Trump em seu primeiro mandato e na eleição de 2020.

O WSJ acrescentou uma alegação pouco abonadora para Gabbard: ela estaria trabalhando nisso porque foi jogada para escanteio em outras questões que naturalmente envolveriam a diretora nacional de inteligência, como a captura de Nicolás Maduro na Venezuela. Revirar o baú das alegações de fraude eleitoral, contudo, é algo que certamente contribui para a imagem de Gabbard perante o presidente.

Seis anos depois, o pleito foi examinado à exaustão, inclusive em um artigo científico publicado pela revista PNAS em novembro de 2021. Os autores, da Universidade de Chicago e Stanford, examinaram alegações de aberração estatística nos resultados, inclusive a respeito das máquinas de votação da empresa Dominion, e não acharam nada.

Trump reconheceu que perdeu? Há quem diga que ouviu de sua própria boca

Ao menos duas pessoas alegam que Trump reconheceu que foi derrotado em 2020: Jack Smith, ex-conselheiro do Departamento de Justiça, e Bill Maher, apresentador de talk show na HBO.

Em depoimento de dezembro passado ao Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados americana, Smith, em resposta à pergunta sobre se Trump já reconheceu que perdeu a eleição de 2020, respondeu “Sim” e forneceu duas supostas falas do presidente feitas na presença de outras pessoas: “Não importa se você ganhou ou perdeu a eleição. Você ainda luta com toda a força”; “Dá para acreditar que perdi para esse cara?”, teria dito o político.

“Sei que ele usou a palavra ‘perdi’, e eu me lembro de dizer ‘uau, nunca achei que você diria isso’”, relatou Maher em seu programa, em abril de 2025, duas semanas após um jantar com Trump.

Maher e Smith, contudo, são opositores de Trump. Maher abertamente favorece o Partido Democrata, embora seja um crítico de seus excessos recentes, como o identitarismo.

Smith participou de ações que levaram a acusações formais contra o presidente. Segundo as acusações, ele teria retido ilegalmente documentos sigilosos e tramado uma anulação do resultado da eleição. O próprio Smith arquivou ambas as ações depois que Trump ganhou a eleição de 2024, citando uma política do Departamento de Justiça contrária a processar um presidente em exercício.



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