A abertura oficial da 48ª Expointer, nesta sexta-feira (5), em Esteio, é marcada por uma mobilização de agricultores vindos de diversas regiões do Rio Grande do Sul.
Com faixas, apitos, adesivos e gritos, os produtores rurais aproveitaram a presença de autoridades e do público no Parque de Exposições Assis Brasil para cobrar do governo federal medidas efetivas de socorro diante da crise que se arrasta há pelo menos seis anos.
A principal reivindicação é a securitização e a renegociação das dívidas acumuladas junto aos bancos. Segundo os agricultores, os sucessivos problemas climáticos, entre estiagens severas, excesso de chuva e instabilidade no ciclo das safras, vêm reduzindo drasticamente a produção, comprometendo a renda e levando milhares de famílias ao limite.
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Para muitos, as dificuldades financeiras já ultrapassaram o campo econômico e se tornaram também um problema social e humano.
Em frente ao palanque oficial do evento, foram colocadas 23 coroas de flores acompanhadas de balões pretos, em homenagem a agricultores que morreram nos últimos anos, pressionados pela cobrança de financiamentos e pela ausência de soluções concretas do poder público.
Cada coroa trazia uma faixa com frases de protesto. Em uma delas, o dizer é: “23 famílias destruídas pela omissão do poder público”.
Outra dizia: “Senado, governos federal e estadual, os maiores negacionistas”. Também havia mensagens como: “Em homenagem aos que cultivaram esperança em meio à tempestade” e “Agricultor clama por apoio, o governo silencia, o campo veste luto.”
O agricultor Lucas Scheffer, presente na mobilização, explicou as demandas do grupo:
“A gente não está pedindo anistia, não pedimos que o governo pague a nossa conta. Estamos pedindo o direito de alongar nossa dívida, dar um prazo para que possamos plantar, produzir e honrar nossos compromissos. Desde o ano passado, são 16 meses de mobilização pelo Estado, cobrando o governo federal”.
Scheffer argumenta, ainda, que na Expointer do ano passado, ‘foram prometidas muitas ações e apenas 10 a 15% chegaram ao produtor. Depois das enchentes do ano passado e da seca deste ano, o problema se agravou ainda mais.”
Com informações abcmais