“Não querem devolver nossos filhos”, diz pai brasileiro que perdeu guarda em Portugal

Há cinco meses, o casal de tatuadores brasileiros Carlos Orleans e Carol Archangelo vive um drama em Viseu, Portugal, após perderem a guarda de seus dois filhos, de 6 e 8 anos, que foram transferidos para uma instituição de acolhimento. Segundo Carlos, em entrevista ao Portugal Giro, a decisão judicial, baseada em denúncias de negligência feitas pela escola pública onde as crianças estudavam, ocorreu sem que os pais fossem devidamente ouvidos. Apesar de cumprirem todas as exigências das autoridades, como vistorias na residência e reuniões com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), o casal afirma que as instituições portuguesas se recusam a devolver as crianças, alegando a necessidade de “ter certeza” sobre a situação familiar. Carlos denuncia que os relatórios apresentados contêm observações subjetivas, como o comportamento reservado de Carol, usado como justificativa para manter as crianças afastadas.

A família, que vive em São Pedro do Sul há cerca de cinco anos, alega sofrer preconceito por sua profissão e aparência, marcada por tatuagens, o que, segundo eles, contribuiu para a decisão da Justiça. Carlos relata que as crianças, que imploram para voltar para casa, estão sendo prejudicadas emocionalmente pela separação, e a falta de transparência no processo aumenta o sofrimento do casal. “Disseram que está tudo bem com a casa, com os pais, mas querem manter as crianças na instituição porque estamos ‘apenas obedecendo, sem refletir’”, desabafa Carlos. O caso, que ganhou repercussão internacional, levou à criação de uma petição ao presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, para fiscalizar a atuação da CPCJ, que, segundo outros brasileiros, investiga desproporcionalmente famílias imigrantes, especialmente do Brasil.


O consulado brasileiro no Porto tem oferecido apoio limitado, orientando o casal a seguir as leis portuguesas, enquanto o Tribunal de Viseu e o Ministério Público não responderam às solicitações de esclarecimento do Portugal Giro. Carlos e Carol, que negam qualquer negligência e afirmam ter uma vida estável, com renda mensal de cerca de € 3 mil, lutam para reverter a medida cautelar que mantém seus filhos institucionalizados. A advogada do casal estima que o processo pode levar até oito meses, e eles buscam transferir a guarda para familiares enquanto enfrentam o que chamam de “perseguição e estigma”. A mobilização de brasileiros em Portugal e no Brasil, impulsionada por figuras como a atriz Luana Piovani, continua crescendo, exigindo maior transparência e justiça no caso.

Fonte: O Globo 

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