O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou, neste domingo (20), que não renunciará ao seu mandato, apesar do término de sua licença de 120 dias, conforme informou em uma live transmitida em seu canal no YouTube. O parlamentar, que se mudou para os Estados Unidos em março de 2025 sob a alegação de perseguição política, afirmou que conseguirá “levar o mandato” por pelo menos mais três meses, aproveitando o recesso do Congresso e o limite de faltas permitidas pela Câmara dos Deputados. A decisão ocorre em meio a investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre sua atuação junto ao governo norte-americano para promover retaliações contra autoridades brasileiras, incluindo o ministro Alexandre de Moraes.
Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, justificou sua permanência nos EUA como uma estratégia para pressionar por anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e para buscar sanções contra Moraes, a quem acusa de liderar um “regime de exceção”. Ele também criticou medidas judiciais recentes, como a imposição de uma tornozeleira eletrônica ao seu pai, determinada por Moraes após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontar risco de fuga. A postura do deputado tem gerado controvérsias, com especialistas apontando que suas ações no exterior podem configurar crimes como coação e tentativa de abolição do Estado democrático de Direito, além de potencialmente levar à cassação de seu mandato por faltas excessivas.
Apesar de ter sinalizado anteriormente à Folha de S.Paulo que “muito provavelmente” abriria mão do mandato, Eduardo agora aposta na possibilidade de manter seu cargo sem retornar ao Brasil, onde teme ser preso. Ele mencionou um projeto de lei, parado na Câmara, que permitiria o exercício remoto do mandato em situações excepcionais, mas não há previsão de votação. Enquanto isso, caso não renuncie oficialmente, Eduardo voltará a receber o salário de R$ 46,3 mil, sem necessidade de formalidades, segundo a Câmara. A estratégia do parlamentar, que inclui ataques públicos a Moraes e defesa de medidas como o “tarifaço” de 50% sobre produtos brasileiros, intensifica a crise diplomática entre Brasil e EUA, gerando críticas de aliados e opositores.
Fonte: Folha de São Paulo